10.31.2005
Opinião
“Já se percebeu que os argumentos do passado para legitimar uma candidatura presidencial funcionam contra quem insiste em invocá-los. É sobretudo isso que ameaça comprometer irremediavelmente a passagem de Mário Soares à segunda volta, no caso de Cavaco não ganhar logo à primeira. E que o sujeita, mas também ao PS, à humilhação de ficar atrás de Manuel Alegre. Se nunca foram evidentes as razões que levaram Soares a recandidatar- -se à presidência, tentando um remake anacrónico da sua passagem por Belém, o equívoco tornou-se agora indisfarçável. Entre o desejo secreto de Soares, os cálculos tortuosos do PS, as ilusões alimentadas pela orfandade da velha corte soarista e dos conversos provenientes da candidatura de Zenha e do eanismo, criou-se uma rede de cumplicidades sem outro cimento que o da nostalgia de um tempo irrepetível. Um tempo fora do tempo e onde, forçosamente, a nostalgia já não é o que era. Da nostalgia antifascista resta hoje um cerimonial kitsch em que a legitimidade presidencial continua a ser encarada como um monopólio exclusivo da esquerda. Desse ponto de vista, só a esquerda asseguraria a normalidade democrática e a estabilidade das instituições, património ameaçado pela eleição de um Presidente de direita ou sem galardões lustrosos de antifascismo. Ora, o esgotamento desta retórica passadista não só favorece o campo que se propõe combater como lhe concede o privilégio de não correr quaisquer riscos na batalha. Daí, também, o unanimismo indigesto que rodeia a candidatura de Cavaco (e que roça por vezes a indecência), dispensando-o de ousadias que soem de forma menos maviosa aos ouvidos dos que o escutam em êxtase. E quando o director de um jornal de referência, onde seria suposto vigorar ainda algum espírito crítico e de imparcialidade editorial, saúda o "Cavaco Vintage 2005", é de temer o efeito da embriaguez.”
Vicente Jorge Silva in
Diário de Notícias, 30 de Outubro de 2005
10.28.2005
Rápido, rápido... (II)
LusaRádio: OTA e TGV - Apresentação da calendarização "para breve" - ministro
Rápido, rápido... (I)
O Governo rapidamente aprova o TGV
Leia-se no Expresso online:
“A ligação do TGV poderá ser reduzida de quatro para duas linhas entre Portugal e Espanha, com quatro paragens entre Lisboa e Porto: Ota, Leiria, Coimbra e Aveiro. As alterações constam de uma nova versão do projecto, que o Governo prevê apresentar no próximo mês.
Segundo noticia hoje o jornal «Público», o anúncio de uma decisão política sobre a Rede de Alta Velocidade será feito depois de o Governo revelar os seus projectos para o aeroporto internacional da Ota, cujos contornos principais deverão ser conhecidos nos primeiros dias do próximo mês. Na segunda quinzena de Novembro será a vez do TGV.
O jornal escreve também que a Rave - Rede de Alta Velocidade, entidade pública responsável pelos estudos relativos ao TGV, foi mandatada pelo anterior Governo social-democrata para apresentar um trabalho sobre a dupla utilização da linha de Madrid, o que não fez até ao momento.
O projecto da linha Lisboa-Madrid deverá estar concluído apenas em 2015, podendo mesmo deslizar para 2017, adianta o «Jornal de Negócios». A data prevista era 2010, mas o Governo português vai assumir na próxima cimeira luso-espanhola, que as datas fixadas em 2003 para as ligações ibéricas em alta velocidade ferroviária na Figueira da Foz «são irrealistas». A linha Porto-Vigo, que deveria ser a primeira a ficar concluída em 2009, pode mesmo cair, uma vez que o Executivo português considera «não existir tráfego que justifique o investimento numa linha de alta velocidade».”
Leia-se no Expresso online:
“A ligação do TGV poderá ser reduzida de quatro para duas linhas entre Portugal e Espanha, com quatro paragens entre Lisboa e Porto: Ota, Leiria, Coimbra e Aveiro. As alterações constam de uma nova versão do projecto, que o Governo prevê apresentar no próximo mês.
Segundo noticia hoje o jornal «Público», o anúncio de uma decisão política sobre a Rede de Alta Velocidade será feito depois de o Governo revelar os seus projectos para o aeroporto internacional da Ota, cujos contornos principais deverão ser conhecidos nos primeiros dias do próximo mês. Na segunda quinzena de Novembro será a vez do TGV.
O jornal escreve também que a Rave - Rede de Alta Velocidade, entidade pública responsável pelos estudos relativos ao TGV, foi mandatada pelo anterior Governo social-democrata para apresentar um trabalho sobre a dupla utilização da linha de Madrid, o que não fez até ao momento.
O projecto da linha Lisboa-Madrid deverá estar concluído apenas em 2015, podendo mesmo deslizar para 2017, adianta o «Jornal de Negócios». A data prevista era 2010, mas o Governo português vai assumir na próxima cimeira luso-espanhola, que as datas fixadas em 2003 para as ligações ibéricas em alta velocidade ferroviária na Figueira da Foz «são irrealistas». A linha Porto-Vigo, que deveria ser a primeira a ficar concluída em 2009, pode mesmo cair, uma vez que o Executivo português considera «não existir tráfego que justifique o investimento numa linha de alta velocidade».”
10.25.2005
10.24.2005
A ciência no Porto

O projecto “Porto, cidade da ciência” promovido pela câmara em parceria com dois cientistas de renome da cidade do Porto, Prof. Maria de Sousa e Prof. Sobrinho Simões, teve como principal reivindicação um"Autocarro VivaCidade" para facilitar o transporte gratuito a estudantes e investigadores que trabalhem na cidade.
O trajecto do autocarro vai ligar instituições científicas, culturais e empresariais, desde a Praça dos Leões, a Cedofeita, passando pelo Campo Alegre, Avenida e Rotunda da Boavista, até ao pólo de Paranhos com circuito a ser definido pelos STCP.
Adicionalmente, a câmara disponibilizou cinco quartos para cientistas estrangeiros em bairros sociais.
A demonstração plena que algo vai mal na cidade, na câmara e nos cientistas do Porto é uma simples comparação com a cidade de Coimbra.As Câmaras de Coimbra e de Cantanhede entenderam-se entre si e também o conseguiram com o Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC). Desta concertação de esforços surgiu o parque Tecnológico de Cantanhede (http://www.biocant.pt/conceito.aspx).
Como escrever artigos!
Presidenciais
Não existiu pior escolha para o título do site não-oficial de apoio à candidatura de Mário Soares à presidência, uma vez que o famoso jogo da Nintendo não tem mesmo nada a ver com o que lá se escreve. A minha estupefacção cresce de dia para dia, de post para post. Como é possível ser tão destrutível e sobretudo expressar tanto ódio a tudo e contra quase todos? Contra o Cavaco, já era de esperar... Mas contra o Manuel Alegre, companheiro de luta de quase todos os escrevem ali?!
Pelo menos, estão reunidos no mesmo site. Assim, não se dá cabo de mais de uma candidatura.
10.19.2005
"O meu amigo, Rui Mateus"
Para os mais esquecidos que não se querem deixar levar neste torpor, recomendo a leitura de um livro que rapidamente caiu no esquecimento, assim como o seu autor.
O livro intitula-se “Contos proibidos – Memórias de um PS desconhecido”e o seu autor foi Rui Mateus, companheiro de Mário Soares, durante longos anos.
Com o apoio da Nintendo?

Há coisas que nem com o amadurecimento mudam. Depois do slogan "Soares é fixe", eis que surge na blogosfera um site não- oficial de apoio à candidatura de Mário Soares. Este blog chama-se Super Mário .
Sob a égide da Nintendo, encontram-se, democraticamente dispostos por ordem alfabética, nomes como o de Vital Moreira.
Que o circo comece!!
10.18.2005
Sempre atrás dos outros.
Portugal ficou classificado como o 26º país mais transparente, tendo recebido com grandes parangonas esta notícia. Só entendo a receptividade a esta classificação, se nós próprios esperássemos estar para o fim de tabela e tenha causado admiração o nosso “bom” resultado. Mais uma vez nos contentamos por não ficar muito atrás dos outros.
Esta alegria só encontra paralelo no nosso crescimento económico de 0.5% efusivamente anunciado pelo nosso Primeiro-ministro, há uns meses atrás.
Esta alegria só encontra paralelo no nosso crescimento económico de 0.5% efusivamente anunciado pelo nosso Primeiro-ministro, há uns meses atrás.
Europa politicamente Correcta I
“A pluma caprichosa “Clara Ferreira Alves, é uma das minhas leituras obrigatórias, senão a única, no semanário Expresso. Na sua última crónica, denunciou a hipocrisia do politicamente correcto que se vive na Europa.
“Europa minha”
“Os jornais dizem que Rabat está a deportar os subsarianos, despachando-os para o deserto do Sul de Marrocos, um lugar onde nada cresce e nada existe.”....E Marrocos faz isto com a cumplicidade criminosa da Espanha socialista de Zapatero, que assobia para o lado.”...
...“Se estes imigrantes ilegais fossem refugiados políticos de Cuba como os «balseros» correríamos a socorrê-los, a essas vítimas da ditadura comunista.”...
...“ E Marrocos, um país de emigrantes, deporta os «ilegais», imitando a Europa à qual quer um dia pertencer. E em Bruxelas e em Estrasburgo, a Europa preocupa-se com a América e o regulamento dos queijos e manteigas, ou o mercado da banana, ou o Iraque e a Palestina, ou a pena de morte na Turquia, enquanto condena a morrer à fome e à sede no deserto entre Marrocos e a Argélia, milhar e meio de negros algemados.”...
...“A Europa sabe que mais cedo ou mais tarde vai ter de rever a sua política de imigração, a sua política social, a sua política.”...
...“E quanto à Espanha socialista de Zapatero and friends, que acabou a sua cimeira com Marrocos para reforçar as medidas de protecção e expulsão dos «ilegais», a Espanha sempre tão moralista em grandes questões internacionais, estamos conversados. A compaixão acaba em Ceuta e Melilla. E o socialismo também.”
Clara Ferreira Alves in
Expresso, 15 de Outubro de 2005
10.17.2005
10.13.2005
O Meu Estado de Espírito
Aqui vai um dos meus Cartoons favoritos da NewYorker.
Sim, sim, tal revista que os leitores da Visão conhecem bem!
10.11.2005
Choque Tecnologico II: voto nunca será electrónico
Leia-se no blog Abrupto (www.abrupto.blogspot.com)
“Pergunta-me o meu filho, na sua ingenuidade tecnológica, porque em Portugal não se vota electronicamente? Depois do que se passou hoje, não sei se lhe envio este e-mail, ou se lhe envio uma carta.(AM)”
Em resposta a este mail eu diria que:
- Em Portugal se fizeram dois testes de voto electrónico que foram realizados, reza a história, com enorme sucesso e adesão clara dos eleitores. Tudo aliás invulgarmente documentado neste site www.votoelectronico.pt;
- O actual governo chegou-se à conclusão que não valia a pena testar mais porque as pessoas gostaram (Público 9 de Outubro) Ou será porque não querem pegar numa iniciativa lançada no anterior ciclo político, pela UMIC?;
- O tão falado programa “Ligar Portugal” nem sequer faz referência ao Voto Electrónico...;
- Por outro lado como se poderiam ter as declarações revigorantes e apelativas de Mário Soares relativamente aos partidos e aos candidatos ( neste último caso, apenas quando concorre o filho)? Como nunca mais se teria a certeza aonde votariam as mais diversas personalidades, os jornalistas não iam gostar e a Comissão Nacional de Eleições nunca mais teria um exemplo vivo e sempre diferente para demonstrar a violação da lei. Mais uma evidência que a lei não é igual para todos. Se fosse o Santana Lopes a defender a eleição de alguém ou do seu partido já teria caído o Carmo e a Trindade. Como é quem é,....
Por estas razões penso que não vamos ter voto electrónico para breve.
Choque tecnológico I
Por esta hora, mais de 14 horas se passaram sobre o fecho das urnas, penso que temos finalmente os resultados de todas as freguesias e concelhos.
O choque generalizado, e de certeza nada tecnológico, atingiu o governo e o primeiro-ministro em particular. Como de costume, para manifestação clara e inequívoca do descontentamento, constituiu-se uma comissão de estudo para averiguar as falhas informáticas.
Cá para mim, e penso não estar muito enganada, com a desculpa da poupança ou pura e simplesmente um ódio de morte ao capitalista Bill Gates e aos seus sucedâneos levaram de uma forma irreflectida ( e a provar-se esta hipótese, precipitada) à mudança dos sistemas operativos. Será que eram Linux???
O que vale é que a Universidade do Minho é pró-linux ....
Sugiro que utilizem o método científico para a análise da causa dos estragos.
10.04.2005
Momentum II
Guerra Civil
E' contra mim que luto
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto
O que digo
E o que faço
E' que pede castigo
E desespera a lança no meu braço
Absurda aliança
De criança
E de adulto.
O que sou é um insulto
Ao que não sou
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou
Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido
Nem convencido
E agrido em mim o homem e o menino
Miguel Torga
E' contra mim que luto
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto
O que digo
E o que faço
E' que pede castigo
E desespera a lança no meu braço
Absurda aliança
De criança
E de adulto.
O que sou é um insulto
Ao que não sou
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou
Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido
Nem convencido
E agrido em mim o homem e o menino
Miguel Torga
Momentum
Queixa das almas jovens censuradas
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Natália Correia, in "O Nosso Amargo Cancioneiro"
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Natália Correia, in "O Nosso Amargo Cancioneiro"
O Estado das Coisas II
Ana Gomes, já nos brindou com várias metáforas interessantes desde o seu regresso de Timor. Num dos seus últimos texto no causa-nossa, aterro, apresenta-nos alguns factos que os jornais e televisão não só não denunciam como ignoram. Ainda bem que existem os blogs e, ao contrário do resto, plurais.
“Beber chá com Khadaffi?
Noticiam os jornais que José Sócrates, o Primeiro Ministro de Portugal, vai amanhã em visita-relâmpago à tenda de Khadaffi, o ditador que mantém o povo líbio e até cidadãos estrangeiros (entre eles, seis enfermeiras búlgaras e um médico cubano condenados à morte), sujeitos a todo o tipo de violações de direitos humanos.
Khadaffi, o governante terrorista que mandou os seus esbirros armadilhar os aviões da UTA e PANAM que explodiram matando centenas de inocentes passageiros e habitantes da vila escocesa de Lockerbie, e que por isso teve o seu país diversos anos refém, sob pesadas sanções do Conselho de Segurança da ONU (que Portugal votou quando lá esteve).
Aparentemente o PM vai em busca de negócios reluzentes, cheirosos a petróleo, pontes e estradas para empresas de Portugal... Faz mais do que fizeram antes, desgostantemente, um MNE do PS, Jaime Gama, e um MNE do PSD, Martins da Cruz (que eu, enquanto Secretária para as Relações Internacionais da mesma direcção do PS a que pertencia José Sócrates, critiquei duramente e voltaria a criticar). Porque José Sócrates não é só MNE: é Primeiro-Ministro e vai com a nutrida companhia dos Ministros da Defesa, da Economia, das Obras Públicas, segundo a imprensa. Tudo, decerto, para melhor cativar o louco terrorista, que passou a ser «respeitável» desde que anunciou desistir do «brinquedo» nuclear que pretendia para as suas macabras diversões.
Não sou adepta do corte de relações diplomáticas com qualquer regime, por mais detestável que seja. O processo de Timor-Leste serviu-me também para aprender que na era da globalização, quanto mais relações houver, quanto mais contactos diplomáticos, comerciais, turísticos, culturais e outros se desenvolverem, mais se pode ajudar quem, sujeito a esses regimes, luta pela mudança e pela liberdade. Mas para isso, para falar se preciso for com o diabo, se fizeram os diplomatas. E para isso também servem as empresas e outros interlocutores ditos técnicos, maxime os ministros das pastas «técnicas». Mas o envio de um MNE e, por maioria de razão, de um Chefe de Governo ou de Estado, transmite um sinal de caução política inegável e indelével. Para quem recebe e sobretudo para quem o emite.
Não venham com a desculpa esfarrapada de que outros já foram também ao beija-mão do criminoso beduíno - nenhum deles irradia decoro ou decência. A começar por Tony Blair (mas a pérfida Albion também nunca se armou em decente, verdade se diga....).
Já se imagina os visitantes que poderão desfilar em Pyongyang proximamente (mas ainda não consta que haja petróleo)! A fila deles seria longa agora em Bagdad, de novo a comer à mão de Saddam, se o torcionário se tem deixado daquela irritante mania de jogar o gato-e-
o- rato a propósito das ADM que afinal não tinha.... Por este andar, se a família Bin Laden conseguir desalojar os Saud em Riade, ainda os haveremos de ver a todos (ou sucessores igualmente invertebrados) em bicha à porta da tenda do «travesso» Ossama, basta que este esboce um ténue acto de contrição....
Dá jeito um Primeiro Ministro perceber alguma coisinha de política externa. Se não percebe, convém que se aconselhe bem - é para isso que servem um MNE e conselheiros diplomáticos. A política externa portuguesa não pode ser ditada apenas por cifrões e por patrões, muito menos chicos-espertos, construam eles estádios de futebol, estradas, plataformas petrolíferas ou vendam telefones ou tapetes.
Portugal não abriu sequer ainda uma embaixada em Tripoli, não tem lá quaisquer estruturas que apoiem empresas ou instituições que tenham alguma coisa a fazer na Líbia. Uma ida à tenda de Khadaffi pelo Primeiro-Ministro neste contexto, ao beija-mão de quem vai, não pode deixar de ser interpretada como um endosso da respeitabilidade política de um ditador terrorista que devia estar preso e a ser julgado por crimes contra a Humanidade.
Não é em meu nome, em nome do meu Portugal, nem do meu PS, que José Sócrates irá à Líbia beber chá com Khadaffi.”
Publicado por Ana Gomes (1 de Outubro de 2005) em
http://causa-nossa.blogspot.com/
“Beber chá com Khadaffi?
Noticiam os jornais que José Sócrates, o Primeiro Ministro de Portugal, vai amanhã em visita-relâmpago à tenda de Khadaffi, o ditador que mantém o povo líbio e até cidadãos estrangeiros (entre eles, seis enfermeiras búlgaras e um médico cubano condenados à morte), sujeitos a todo o tipo de violações de direitos humanos.
Khadaffi, o governante terrorista que mandou os seus esbirros armadilhar os aviões da UTA e PANAM que explodiram matando centenas de inocentes passageiros e habitantes da vila escocesa de Lockerbie, e que por isso teve o seu país diversos anos refém, sob pesadas sanções do Conselho de Segurança da ONU (que Portugal votou quando lá esteve).
Aparentemente o PM vai em busca de negócios reluzentes, cheirosos a petróleo, pontes e estradas para empresas de Portugal... Faz mais do que fizeram antes, desgostantemente, um MNE do PS, Jaime Gama, e um MNE do PSD, Martins da Cruz (que eu, enquanto Secretária para as Relações Internacionais da mesma direcção do PS a que pertencia José Sócrates, critiquei duramente e voltaria a criticar). Porque José Sócrates não é só MNE: é Primeiro-Ministro e vai com a nutrida companhia dos Ministros da Defesa, da Economia, das Obras Públicas, segundo a imprensa. Tudo, decerto, para melhor cativar o louco terrorista, que passou a ser «respeitável» desde que anunciou desistir do «brinquedo» nuclear que pretendia para as suas macabras diversões.
Não sou adepta do corte de relações diplomáticas com qualquer regime, por mais detestável que seja. O processo de Timor-Leste serviu-me também para aprender que na era da globalização, quanto mais relações houver, quanto mais contactos diplomáticos, comerciais, turísticos, culturais e outros se desenvolverem, mais se pode ajudar quem, sujeito a esses regimes, luta pela mudança e pela liberdade. Mas para isso, para falar se preciso for com o diabo, se fizeram os diplomatas. E para isso também servem as empresas e outros interlocutores ditos técnicos, maxime os ministros das pastas «técnicas». Mas o envio de um MNE e, por maioria de razão, de um Chefe de Governo ou de Estado, transmite um sinal de caução política inegável e indelével. Para quem recebe e sobretudo para quem o emite.
Não venham com a desculpa esfarrapada de que outros já foram também ao beija-mão do criminoso beduíno - nenhum deles irradia decoro ou decência. A começar por Tony Blair (mas a pérfida Albion também nunca se armou em decente, verdade se diga....).
Já se imagina os visitantes que poderão desfilar em Pyongyang proximamente (mas ainda não consta que haja petróleo)! A fila deles seria longa agora em Bagdad, de novo a comer à mão de Saddam, se o torcionário se tem deixado daquela irritante mania de jogar o gato-e-
o- rato a propósito das ADM que afinal não tinha.... Por este andar, se a família Bin Laden conseguir desalojar os Saud em Riade, ainda os haveremos de ver a todos (ou sucessores igualmente invertebrados) em bicha à porta da tenda do «travesso» Ossama, basta que este esboce um ténue acto de contrição....
Dá jeito um Primeiro Ministro perceber alguma coisinha de política externa. Se não percebe, convém que se aconselhe bem - é para isso que servem um MNE e conselheiros diplomáticos. A política externa portuguesa não pode ser ditada apenas por cifrões e por patrões, muito menos chicos-espertos, construam eles estádios de futebol, estradas, plataformas petrolíferas ou vendam telefones ou tapetes.
Portugal não abriu sequer ainda uma embaixada em Tripoli, não tem lá quaisquer estruturas que apoiem empresas ou instituições que tenham alguma coisa a fazer na Líbia. Uma ida à tenda de Khadaffi pelo Primeiro-Ministro neste contexto, ao beija-mão de quem vai, não pode deixar de ser interpretada como um endosso da respeitabilidade política de um ditador terrorista que devia estar preso e a ser julgado por crimes contra a Humanidade.
Não é em meu nome, em nome do meu Portugal, nem do meu PS, que José Sócrates irá à Líbia beber chá com Khadaffi.”
Publicado por Ana Gomes (1 de Outubro de 2005) em
http://causa-nossa.blogspot.com/
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