4.13.2006

Manuais escolares- polémica

Afinal a que se deve tanto alarido e sobretudo tanto atraso? Aqui publico o decreto lei aprovado pelo governo em 1990 e o novo comunicado, divulgado hoje pela Ministra da Ciência. Poderemos ver que o texto á quase o mesmo se compararmos com o decreto em vigor. Para além de especificarem mais a comissão avaliadora, e de terem alargado o prazo dos manuais para seis anos, nada é verdadeiramente relevante. Desta forma, não se justificam nem o atraso do ministério e do governo nem as reclamações das editoras. Caso esteja errrada, gostaria que alguém me explicasse a diferença

ANTES
Manuais Escolares
Decreto-Lei n.° 369/90, de 26 de Novembro
Adopção de manuais escolares
De acordo com a Lei n.° 46/86, de 14 de Outubro – Lei de Bases do Sistema Educativo –, e respondendo às exigências da entrada em vigor dos novos planos curriculares definidos pelo Decreto-Lei n.° 286/89, de 29 de Agosto, impõe-se a definição de uma política de manuais escolares que, salvaguardando o direito de alunos e professores recorrerem a outras fontes de informação facilitadoras do processo de conhecimento, se oriente pelo seguinte conjunto de objectivos:Garantir a estabilidade dos manuais escolares, de modo a respeitar os interesses das famílias com vários filhos em idade escolar, mas sem limitar o processo de inovação pedagógica, mediante a definição de um período de vigência dos programas de ensino e dos correspondentes manuais;Assegurar a qualidade científica e pedagógica dos manuais escolares a adoptar para cada nível de ensino e disciplina ou a área disciplinar, através de um sistema de apreciação e controlo;Reconhecer os benefícios da diversidade de iniciativas editoriais de manuais escolares, mas assumindo o Ministério da Educação o encargo de suprir a sua carência pela promoção, se necessário, da elaboração e produção editorial de manuais escolares;Reconhecer a competência pedagógica dos órgãos de gestão das escolas na escolha e adopção dos manuais escolares que considerem mais adequados ao seu projecto educativo;Apoiar as escolas no processo de escolha e adopção dos manuais escolares, facultando-lhes instrumentos de selecção;Garantir o cumprimento, por parte das escolas, dos prazos legais de afixação da lista dos manuais adoptados, bem como da respectiva participação às entidades intervenientes no processo;Permitir a autores e editores a previsão das iniciativas a tomar e das tiragens a realizar, de forma a melhorar a qualidade e a racionalizar o preço do manual escolar e a sua disponibilização no início do ano lectivo.

Assim:
No desenvolvimento do regime jurídico estabelecido pela Lei n.° 46/86, de 14 de Outubro, e nos termos da alínea c) do n.° 1 do artigo 201.° da Constituição, o Governo decreta o seguinte:
Artigo 1.° Natureza e âmbito
1 – O presente diploma estabelece o sistema de adopção e o período de vigência dos manuais escolares correspondentes aos programas de cada uma das disciplinas e áreas disciplinares dos ensinos básico e secundário.
2 – Os programas a que se refere o número anterior são aprovados por despacho do Ministro da Educação, sem prejuízo do disposto no artigo 47.° da Lei de Bases do Sistema Educativo.
3 – Os programas são divulgados 18 meses antes da sua entrada em vigor.
Artigo 2.° Definição
Para efeitos do disposto no presente diploma, entende-se por manual escolar o instrumento de trabalho, impresso, estruturado e dirigido ao aluno, que visa contribuir para o desenvolvimento de capacidades, para a mudança de atitudes e para a aquisição dos conhecimentos propostos nos programas em vigor, apresentando a informação básica correspondente às rubricas programáticas, podendo ainda conter elementos para o desenvolvimento de actividades de aplicação e avaliação da aprendizagem efectuada.
Artigo 3.° Iniciativa
Pertence à sociedade civil a iniciativa da elaboração, produção e distribuição dos manuais escolares, cabendo apenas ao Ministério da Educação um papel supletivo, no caso de ausência de iniciativas editoriais para programas obrigatórios.
Artigo 4.° Período de adopção
1 – Cada programa vigora por um período mínimo de quatro anos nos 1.° e 2.° ciclos do ensino básico e de três anos no 3.° ciclo do ensino básico e no ensino secundário, renovável desde que não se justifiquem alterações.
2 – A adopção dos manuais escolares é válida por um período mínimo de quatro anos nos 1.° e 2.° ciclos do ensino básico e de três anos no 3.° ciclo do ensino básico e no ensino secundário, não sendo permitidas alterações à lista dos manuais adoptados depois da sua afixação e durante o período referido, excepto quando o editor ou o autor de determinado manual decidir suspender a sua circulação, ou não assegurar o abastecimento do mercado, ou ainda quando se verificar a aplicação das medidas de suspensão previstas no artigo 9.°.
3 – No final de cada período de adopção, as estruturas de decisão pedagógica no 1.° ciclo e os conselhos pedagógicos nos 2.° e 3.° ciclos do ensino básico e no ensino secundário devem proceder, no prazo fixado no n.° 1 do artigo 5.°, à aprovação dos manuais escolares para o período seguinte, com vista à sua readopção ou substituição, sem prejuízo do disposto nos n.os 1 e 2.
4 – Os docentes podem recorrer a meios didácticos além do manual adoptado, em ordem ao desenvolvimento dos conteúdos programáticos e de acordo com os objectivos pedagógicos definidos nos programas, desde que tal não implique despesas suplementares para os alunos.
Artigo 5.° Adopção dos manuais escolares
1 – A adopção dos manuais escolares pelas escolas dos ensinos básico e secundário é feita durante as primeiras quatro semanas do 3.° período do ano lectivo anterior ao início do período de vigência dos programas a que dizem respeito e de acordo com as recomendações emanadas da Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário, da Direcção-Geral de Extensão Educativa ou do Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional, conforme o caso.
2 – No 1.° ciclo do ensino básico, a adopção dos manuais escolares compete às respectivas estruturas de decisão pedagógica.
3 – Nos 2.° e 3.° ciclos do ensino básico e no ensino secundário, a adopção dos manuais escolares compete aos conselhos pedagógicos, sob proposta dos conselhos de disciplina.
4 – Nos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, a adopção dos manuais escolares é da responsabilidade dos respectivos órgãos de direcção técnico-pedagógica, uma vez ouvidos os professores do estabelecimento.
5 – No decurso do processo de adopção previsto neste artigo, as estruturas de decisão pedagógica, no caso do 1.° ciclo do ensino básico, e os conselhos pedagógicos, no caso dos 2.° e 3.° ciclos do ensino básico e do ensino secundário, devem consultar as escolas situadas nas mesmas áreas pedagógicas ou em zonas geográficas vizinhas e podem associar-se para efeitos de escolha comum de manuais escolares.
Artigo 6.° Apreciação
1 – O Ministério da Educação, através da Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário, do Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional e da Direcção-Geral de Extensão Educativa, constitui comissões científico-pedagógicas para apreciação da qualidade dos manuais escolares, com excepção dos manuais relativos à disciplina de Educação Moral e Religiosa.
2 – As comissões referidas no número anterior integram especialistas de reconhecida competência científica e pedagógica, que não tenham quaisquer interesses directos em empresas editoras, e organizam-se por ciclo de ensino e por disciplina ou área disciplinar.
3 – A apreciação da qualidade pode incidir nos manuais de modo diverso, de acordo com os seguintes métodos:
a) De modo global e pelos serviços propostos das direcções-gerais pedagógicas, em todos os manuais, utilizando-se métodos de despistagem de grelha larga;
b) De modo intenso e pelas comissões previstas no n.° 1 deste artigo, nos manuais que suscitarem dúvidas na despistagem geral;
c) De modo também intenso e pelas mesmas comissões, quando a apreciação for solicitada através de requisição escrita e fundamentada por entidades da sociedade civil com representatividade nacional ou pelos órgãos pedagógicos das escolas.
4 – No caso de a apreciação ser solicitada por entidades da sociedade civil, os encargos devam ser imputados à entidade solicitadora.
5 – As empresas editoras podem inserir na capa ou contracapa do manual a indicação do resultado da apreciação, bem como difundir esse resultado na comunicação social ou por outros meios.
Artigo 7.° Critérios de selecção
1 – Compete à Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário, ao Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional e à Direcção-Geral de Extensão Educativa promover a elaboração de critérios de selecção para apreciação dos manuais escolares, os quais terão em consideração não só a sua qualidade e adequação pedagógica mas também a sua robustez, o seu preço e a possibilidade da sua reutilização.
2 – Compete aos organismos referidos no número anterior assegurar a formação dos professores responsáveis pela apreciação dos manuais escolares.
3 – Os critérios de selecção referidos no n.° 1 são publicados conjuntamente com os programas relativos às disciplinas ou áreas disciplinares de cada ano de escolaridade e enviados às escolas e às associações representativas do sector editorial.
4 – A adopção dos manuais escolares, efectuada nos termos e pelos órgãos referidos no artigo 5.°, é feita com base nos critérios de selecção referidos no n.° 1.
Artigo 8.° Procedimento e prazos
1 – Os órgãos de gestão e administração das escolas do ensino público e o órgão de direcção técnico-pedagógica dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo devem afixar, em modelo próprio, no prazo de 10 dias após expirar o prazo referido no n.° 1 do artigo 5.°, em locais de fácil acesso ao público, a lista dos manuais escolares adoptados, por disciplina ou área disciplinar, com a indicação do título, autor e editor.
2 – Os órgãos de gestão e administração das escolas do ensino público e o órgão de direcção técnico-pedagógica dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo devem remeter, no prazo de cinco dias após a afixação referida no número anterior, à Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário e à respectiva direcção regional de educação, a lista definitiva dos manuais escolares adoptados, com a indicação dos títulos, autores, editores e estimativa do número de exemplares necessários para os alunos do respectivo estabelecimento.
3 – As estruturas locais das direcções regionais de educação devem remeter a lista definitiva dos manuais escolares adoptados pelas escolas da sua área às respectivas câmaras municipais.
4 – A Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário envia, nos 10 dias seguintes ao prazo fixado no n.° 2, a lista dos manuais adoptados à Direcção-Geral de Concorrência e Preços, à Inspecção-Geral de Ensino, à Direcção-Geral de Extensão Educativa, ao Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional e às associações representativas do sector editorial.
Artigo 9.° Medidas de suspensão
1 – A Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário, o Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional ou a Direcção-Geral de Extensão Educativa, conforme os casos, de acordo com o parecer das comissões científico-pedagógicas referidas no artigo 6.°, comunicam aos autores e editores dos manuais em que tenham sido detectados erros ou omissões de reconhecida gravidade os fundamentos da intenção de impor a respectiva rectificação ou suspender a sua distribuição e venda, em carta registada com aviso de recepção.
2 – No prazo de oito dias úteis após a recepção desta carta, o Ministro da Educação nomeia uma comissão de revisão, composta por quatro professores dos quadros com nomeação definitiva em exercício no mesmo nível de ensino, no caso do 1.° ciclo do ensino básico, e no mesmo grupo disciplinar ou especialidade, no caso dos 2.° e 3.° ciclos do ensino básico e do ensino secundário, sendo dois deles indigitados pela Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário, Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional ou Direcção-Geral de Extensão Educativa, conforme os casos, e os outros dois pelo autor ou editor do manual.
3 – A comissão de revisão é presidida por uma invidualidade de reconhecida competência e idoneidade, nomeada pelo Ministro da Educação, a qual vota apenas em caso de empate.
4 – Na falta de indigitação por parte do editor ou do autor dentro do prazo fixado, a Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário, o Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional ou a Direcção-Geral de Extensão Educativa, conforme os casos, asseguram a indigitação da totalidade dos elementos da comissão de revisão.
Artigo 10.° Parecer da comissão de revisão
1 – A comissão de revisão dispõe de um prazo de 15 dias úteis para a apreciação do manual em causa e emissão de parecer, o qual deve justificar minuciosamente as decisões propostas.
2 – O parecer a que se refere o número anterior deve, conforme o caso, contemplar uma das seguintes situações:
a) Revogação da intenção referida no n.° 1 do artigo anterior;
b) Obrigatoriedade de o autor e editor procederem à rectificação dos erros e omissões detectados, através da distribuição de novo manual corrigido ou de errata contendo as correcções necessárias;
c) Suspensão da distribuição e venda do manual.
3 – O resultado do trabalho da comissão de revisão é enviado ao Conselho Nacional de Educação para parecer e subsequentemente será objecto de homologação superior.
4 – Nos casos referidos nas alíneas b) e c) do n.° 2 deste artigo, os encargos emergentes da rectificação ou suspensão da distribuição e venda do manual em causa, bem como da devolução aos adquirentes do manual das importâncias por estes despendidas com a sua aquisição, são da responsabilidade do respectivo editor.
Artigo 11.° Alunos com deficiência visual
1 – Quando nas escolas se verificar a integração nas respectivas turmas de alunos com deficiência visual, deve ser ouvido na escolha dos manuais escolares o respectivo professor de educação especial que apoia o aluno e devem ser considerados quer os manuais anteriormente adoptados, quer os catálogos existentes de manuais especializados.
2 – As escolas referidas no número anterior devem remeter, no prazo estipulado no n.° 2 do artigo 8.°, ao Centro de Recursos do Departamento de Educação Especial da Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário a lista dos manuais seleccionados e o número de exemplares necessários.
3 – Em conformidade com os pedidos recebidos, e tendo em conta a gestão racional dos recursos, a Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário divulga quais os manuais a reproduzir em cada ano.
Artigo 12.° Regime de preços e modalidades de apoio
1 – O regime de preços dos manuais escolares deve considerar os interesses de utilizadores, autores e editores e é estabelecido, ouvidas as associações representativas do sector editorial, por portaria conjunta dos Ministros do Comércio e Turismo e da Educação, a publicar no prazo de 60 dias após a entrada em vigor do presente diploma.
2 – As condições e modalidades de apoio à aquisição de manuais escolares, nomeadamente a sua atribuição gratuita, o subsídio ou o empréstimo são definidos nos termos previstos no n.° 1 do artigo 27.° do Decreto-Lei n.° 35/90, de 25 de Janeiro.
Artigo 13.° Disposições finais e transitórias
1 – O regime do manual escolar definido no presente diploma é aplicável no âmbito dos programas decorrentes da reorganização dos planos curriculares dos ensinos básico e secundário, aprovada pelo Decreto-Lei n.° 286/89, de 29 de Agosto.
2 – Os prazos de adopção dos manuais e de divulgação dos programas, fixados no n.° 3 do artigo 1.° e no n.° 1 do artigo 5.° .do presente diploma, não são aplicáveis ao primeiro período de vigência dos programas a que se refere o artigo 14.° do Decreto-Lei n.° 286/89, de 29 de Agosto.
Artigo 14.° Norma revogatória
É revogado o Decreto-Lei n.° 57/87, de 31 de Janeiro.
 
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 30 de Agosto de 1990. – Aníbal António Cavaco Silva – Luís Miguel Couceiro Pizarro Beleza – Roberto Artur da Luz Carneiro – Fernando Manuel Barbosa Faria de Oliveira.
Promulgado em 10 de Novembro de 1990.
Publique-se.
O Presidente da República, MÁRIO SOARES.
Referendado em 14 de Novembro de 1990.
O Primeiro-Ministro, Aníbal António Cavaco Silva.


HOJE


“Foi hoje aprovado em Conselho de Ministros o novo regime dos manuais escolares, que institui a certificação prévia dos livros por parte de comissões de peritos, alarga o prazo de vigência de três para seis anos e prevê mais apoios para os alunos com maiores carências.
De acordo com a proposta de lei, que será submetida a discussão e aprovação na Assembleia da República, será criado um sistema de avaliação dos manuais escolares, antes destes serem adoptados pelas escolas. Este processo começa a ser aplicado progressivamente a partir de 2007/2008.
Todos os editores passarão a ter de submeter os seus manuais a comissões de peritos constituídas por docentes, investigadores, membros de associações pedagógicas e sociedades científicas, que irão avaliar qualitativamente os livros, com a menção de "certificado" ou "não certificado".
O objectivo é assegurar “a efectiva qualidade dos manuais escolares, garantindo a sua adequação ao currículo nacional e aos programas em vigor, assim como as regras de rigor científico e pedagógico", explicou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, no final do Conselho de Ministros.
Depois de certificados, os professores de cada escola ou agrupamento de escolas terão de seleccionar os livros que mais se adequam ao seu projecto educativo.
A proposta de lei prevê também a limitação das actividades de promoção desenvolvidas pelas editoras junto dos professores.
Serão ainda alargados os mecanismos de apoio aos alunos mais carenciados, nomeadamente com a gratuitidade dos manuais para os estudantes do ensino básico que beneficiam do primeiro escalão da acção social escolar, a partir de 2009.
Relativamente aos alunos do básico que beneficiam do segundo escalão da acção social escolar, a proposta prevê o aumento do limite máximo de comparticipação sobre o preço dos livros para reduzir o encargo das famílias.
A comparticipação não abrange os manuais do ensino secundário, mas o seu preço de venda deverá descer, uma vez que o documento alarga a este nível de escolaridade o regime de preços convencionados, que até aqui vigorava apenas no básico.
Também com o objectivo de "minorar os encargos financeiros dos orçamentos familiares", o Executivo decidiu alargar de três para seis anos o prazo de vigência dos livros.
A ministra da Educação revelou ainda que será hoje assinada a convenção de preços dos manuais escolares para o próximo ano lectivo e responsabilizou as editoras pelo atraso do processo, que devia ter ficado concluído em Dezembro.
Maria de Lurdes Rodrigues garantiu que o atraso ficou a dever-se a "dificuldades técnicas que têm na origem más práticas por parte das editoras, no que respeita à substituição indevida de manuais adoptados e à alteração de preços convencionados".
COMUNICADO do Conselho de Ministros”
http://jn.sapo.pt/2006/04/13/ultimas/Governo_aprova_novo_regime_dos_m.html

3.30.2006

Simplex

Zeiss Ikon Simplex http://www.collection-appareils.com/zeiss/html/zeiss_simplex.php

Mais um número? simplex

Em notícia publicada no Diário de Notícias leia-se : “Os cidadãos nacionais, residentes no País e maiores de 18 anos, que pretendam inscrever-se em escolas até ao ensino secundário vão ser obrigados a exibir o cartão de eleitor no acto da matrícula ou da sua renovação. A medida consta do despacho nº 6539/2006, do secretário de Estado Valter Lemos, publicado em Diário da República a 22 de Março. “http://dn.sapo.pt/2006/03/30/sociedade/matriculas_com_cartao_eleitor.html

Convenhamos que este despacho juntamente com o número mágico das 333 medidas para a simplificação administrativa, anunciado pelo governo, constitui um grande ponto de interrogação ???. De facto, neste pacote das 333 medidas incluía-se a eliminação da obrigatoriedade presencial no acto da matrícula.

Esta confusão, nada “simplex”, é um poço de descriminação. Apenas os estudantes adultos serão obrigados a inscreverem-se presencialmente.

Mas alguém se debruçou sobre o quão estranho é o nome Simplex???

A singularidade deste nome, normalmente relacionado a um qualquer produto de qualidade duvidosa, não augura nada de bom. Por outro lado, que associação livre de ideias que me suscita o número de medidas 333? Sem dúvida que me transporta para as visitas aos médicos, como deve ter sido o desejado. No entanto, se a ideia era associar ao “diga 33” usado há algumas gerações atrás, com um qualquer tratamento, não funcionou. Posiciona-nos, isso sim, num período da auscultação (com ou sem estetoscópio), sem qualquer garantia de cura.
Mas a imagem de Ministros e Secretários de Estado desesperadamente a reunir 333 medidas, é hilariante. Ninguém acredita que foi por acaso e, certamente, que se pode questionar a pertinência de algumas delas. Será que foi mais um número?

3.29.2006

Think BIG!!!!







Leonor Beleza, como há uns anos atrás quando ministra da Saúde, preconiza tempos de mudança.  Por um artigo do público somos informados da escala em que esta  fundação vai trabalhar. Deveras ambiciosa. Mas nunca iremos a lado nenhum se continuarmos a pensar pequeno!!!!


“António Guterres e Jacques Delors no júri de Prémio Champalimaud
Galardão de um milhão de euros foi apresentado ontem em Lisboa, com a presença do comissário europeu da Ciência
Leonor Beleza chegou ao lado de Janez Potocnik. A presidente da Fundação Champalimaud e o comissário europeu da Ciência subiram para um pequeno estrado numa sala quase despida de decoração, à excepção de dois microfones e obras de artistas portugueses. Foi neste cenário, na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, que Leonor Beleza apresentou ontem internacionalmante aquele que será o maior prémio mundial para a investigação médica - o Prémio António Champalimaud de Ciência, no valor de um milhão de euros. Até o Prémio Nobel, que vale cerca de um milhão de dólares (828 mil euros) não atinge esse montante. Mas o Prémio Champalimaud de Ciência pretende constituir-se como uma distinção de prestígio, sublinhou Leonor Beleza. "Queremos para o prémio, a fundação e o fundador o maior prestígio."A candidaturas para a primeira edição abrem em Junho e a fundação escolheu a sede da Comissão Europeia para apresentar o prémio e o júri, de que fazem parte cientistas e personalidades de renome mundial. António Guterres, que desde Junho doe 2005 é alto-comissário para os Refugiados das Nações Unidas, é um dos membros, tal como Mary Robinson, ex-Presidente da Irlanda e ex-alta-comissária para os Direitos Humanos das Nações Unidas, e a Jacques Delors, presidente da Comissão Europeia de 1985 a 1995. Do júri fazem ainda parte dois laureados com o Nobel, o japonês Susumu Tonegawa (Medicina em 1987) e o indiano Amartya Sem (Economia em 1998). Alfred Sommer (reitor da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins, nos EUA), Joshua Sanes (director do Centro de Neurociências da Universidade de Harvard, nos EUA), Gullapalli Rao (director do Instituto dos Olhos, na Índia), Paul Sieving (director do Instituto Nacional dos Olhos dos EUA), Carla Shatz (Instituto Médico Howard Hughes, nos EUA) e José Cunha Vaz (director do Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem, em Coimbra) são os restantes membros. "Queremos mostrar que é indiscutível o nível das pessoas que decidem quem são os laureados", disse Leonor Beleza.De forma alternada, o prémio irá para descobertas científicas no domínio da visão, em sentido lato, e para instituições e equipas que trabalhem em países em desenvolvimento no combate à cegueira. Será sempre premiada uma instituição ou um grupo, nunca uma só pessoa. "O prémio visa reconhecer equipas que já fazem um trabalho notável. Queremos que seja um estímulo e aumente a importância da investigação da visão e da luta contra a cegueira. Há milhões de pessoas cegas que não o deviam ser, com os meios que há hoje."Janez Potocnik emprestou a solenidade e projecção internacional da Comissão Europeia para lançar o prémio, tanto mais que, ontem e anteontem em Bruxelas, se realizava uma conferência para discutir o papel de organizações sem fins lucrativos, como as fundações, no financiamento da investigação na Europa.Apostar nas fundaçõesA União Europeia pretende que dois terços do financiamento da investigação sejam oriundos do sector privado, com o objectivo final de, em 2010, investir três por cento do produto interno bruto comunitário, sublinhou Potocnik. "Hoje temos 54 ou 55 por cento de fundos privados. Os Estados Unidos têm quase dois terços e o Japão 70 por cento. É uma área que temos de desenvolver mais." E as organizações em fins lucrativos podem contribuir."Essa não tem sido uma fonte de financiamento tão bem desenvolvida como noutras partes do mundo", disse o comissário. "Em 2003, as organizações não lucrativas dos EUA contribuíram com quase 13 mil milhões de dólares para a investigação, ou seja, 4,5 por cento do esforço. Embora haja pouca informação a nível europeu, não há dúvida de que a doação para a ciência é uma área subdesenvolvida na maioria dos países, com excepção do Reino Unido", acrescentou. "A situação do Reino Unido deve-se à notável contribuição de organizações como o Wellcome Trust, bem como a um reflexo bastante desenvolvido da cultura de doação britânica."A Fundação Champalimaud foi apresentada como exemplo de uma fundação criada por um empresário, para apoiar a investigação: para esse fim, António Champalimaud, falecido em Maio de 2004, deixou 500 milhões de euros. A internacionalização do Prémio Champalimaud não ficará por aqui. Em Abril, vai ser apresentado numa conferência científica nos Estados Unidos e, no Outono, na Índia.

Teresa Firmino, Bruxelas
O PÚBLICO viajou a conviteda Fundação Champalimaud “

3.28.2006

Hoje somos todos Benfiquistas!

Porque se trata de uma questão nacional.

3.27.2006

Finalmente, a Inovação


A Bial, não é a primeira empresa Portuguesa com capacidade de entrar nos mercados mundiais. Todos nós lemos notícias aqui e ali, nomeadamente na revista Visão de Agosto de 2005 tivemos vários exemplos disso, que somos capazes de lançar produtos inovadores. Mas de facto a Bial está de parabéns porque é a única empresa farmacêutica portuguesa a fazê-lo.
A Bial tem sido nos últimos anos extremamente no panorama da ciência em Portugal, não só pelos prémios anuais que atribui à investigação, mas também pelas colaborações que vem mantendo com vários grupos.

3.26.2006

Microsoft, finalmente as perguntas

Publico este artigo no meu blog por finalmente ter encontrado alguma contestação a uma situação que para mim nunca foi pacífica - o acordo entre a Microsoft e o governo  Português.
Não falando no facto de termos os ministros, humilhantemente, em filinha para assinala o acordo perante a sobranceria do Bill Gates, nunca consegui perceber porque é que o Bloco de Esquerda, tão defensor do software livre, conseguiu comprar esta história. Aparentemente, dependendo da cor do governo, este partido tem intervenções e preocupações diferentes.
 
Que diriam os jornalistas, que diriam os partidos, incluindo o próprio PS, se Durão Barroso ou um outro governo tivesse feito o mesmo acordo. Bem, aqui vai uma reacção ao retardador. Mas é uma reacção!!!  Mais uma vez o Partido Comunista consegue ultrapassar o Bloco de Esquerda.
 
 
"Comunistas questionam Governo sobre ausência de processo de selecção de empresas·O grupo parlamentar do PCP entregou ao presidente da Assembleia da República seis requerimentos questionando o Governo sobre a legalidade das opções que culminaram com a assinatura de um "memorando de entendimento" com a Microsoft com vista à colaboração desta empresa no Plano Tecnológico. No preâmbulo do documento, assinado a 2 de Fevereiro, em Lisboa, pelo chairman da Microsoft, Bill Gates, e oito ministros portugueses, lê-se que a empresa "decidiu aliar-se" ao Plano Tecnológico e "colaborar com o Governo" no esforço da sua concretização. "Não é surpreendente esta disposição de uma empresa privada, seja ela qual for, em "aliar-se" a projectos estatais que apontem perspectivas de financiamento público e contratação de novos produtos e serviços", consideram os deputados comunistas Bernardino Soares e Miguel Tiago, subscritores do requerimento principal. "A questão é saber da legitimidade – e mesmo da legalidade – de um "entendimento" assinado entre o Estado português e uma empresa privada, o qual define âmbitos e objectivos de protocolos e outros compromissos contratuais, que [...] envolverá a prazo o fornecimento de bens e serviços por essa empresa", prosseguem. "Tudo isto sem que sejam activados quaisquer mecanismos prévios de concurso, contratação ou concorrência, fundamentando-se apenas na "decisão" da empresa em "aliar-se" a um projecto", sublinham. Por isso, requereram ao Governo que explicite o fundamento legal para a celebração do memorando, "como se de relações económicas e de cooperação entre Estados se tratasse", e a ausência de processo de selecção de empresas. E querem saber se o Governo "está ou não em condições de apresentar uma quantificação, mesmo que previsional, dos montantes de investimento público necessários à concretização das 19 medidas do memorando". Para os comunistas, a cerimónia de assinatura do documento foi "uma das maiores operações de marketing alguma vez realizada em Portugal", já que "uma empresa privada recebeu um tratamento de relações económicas internacionais correspondente a um Estado, com os ministros e o representante da empresa em Portugal a assinar o "memorando", na presença do primeiro-ministro e do dono da empresa-mãe".·Bases de dados da PJ preocupam PC Depois de verem à lupa as medidas e orientações do memorando, os comunistas elaboraram outros cinco requerimentos sectoriais. Um deles revela especial preocupação quanto à "segurança de dados informáticos detidos e geridos pela Polícia Judiciária [PJ] no âmbito da investigação criminal, face ao anúncio de "colaboração estreita" que consta do memorando de entendimento". O PCP questiona o ministro da Justiça sobre o âmbito, objectivos e enquadramento legal da "colaboração", e a que "redes internacionais de conhecimento" fica a PJ vinculada com o memorando. Em matéria de educação, o PCP põe em causa o "programa de literacia digital", que pressupõe a existência nas escolas de "um programa curricular fornecido ao Ministério [da Educação] por uma empresa privada" e direccionado "para a utilização de determinados produtos e técnicas que são um exclusivo" da Microsoft. Quanto ao projecto-piloto de adaptação à futura geração de aplicações Windows Vista e OPffice, considera que se trata de uma "estratégia comercial e operação de marketing preparada pela Microsoft [...] com o alto patrocínio do Governo e do seu Plano Tecnológico". Críticas do mesmo tipo são dirigidas ao Ministério da Ciência e do Ensino Superior quanto à "formação com certificação Microsoft" nos politécnicos, questionando os comunistas se estes foram ouvidos e se foi feito algum estudo sobre o assunto. Aos ministros do Trabalho e da Economia o PCP pergunta como podem ter assinado um acordo que prevê a participação num programa de estágios de 4300 empresas "que nunca terão sido sequer consultadas". E junto do ministro dos Negócios Estrangeiros quer saber se ponderou apoiar projectos de cooperação e desenvolvimento nos países africanos com recurso a software livre, em vez de fomentar estágios para jovens dos PALOP nas empresas parceiras da Microsoft. Leonete Botelho
PÚBLICO
Quarta, 22 de Março de 2006"
 

3.24.2006

Humor Negro

Ainda bem que tanto José Sócrates e Fátima Felgueiras não são do género de guardar rancores... caso contrário teriamos um simples aperto de mão muito mais institucional.

Momento de Humor- Mensagens Claras III

Momento de Humor- Mensagens Claras II


ESta mensagem vem mesmo a calhar, uma vez que me fizeram desaparecer três, TRÊS!!!, biciletas da minha garagem.

Mais um momento de humor - Mensagens Claras I

3.21.2006

Uma nota Só?



Não pude deixar de publicar no meu blog uma fotografia fantástica da nossa Ministra da Cultura, Isable Pires de Lima, com o seu homónimo Brasileiro, Gilberto Gil.

Penso que a imagem quase que dispensa comentários.

Primeiro a nossa Ministra está vestida como se de uma das suas viagens de veraneio de tratasse.

Depois, o seu ar, enganadoramente, angelical leva-nos a imaginar que Gilberto Gil continua a entoar fantásticas melodias de embalar.

Fotografia do público online.

http://www.publico.clix.pt/getimage.asp?tb=IMAGENS&id=161497

de 21 de Março de 2006

3.20.2006

A força da Natureza


The Grand Canyon, Arizona, Março de 2006

3.17.2006

Bons tempos



Para quando outravez tão bons tempos ... Espero que para breve!

Vozes do Mar

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?......
Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!


Florbela Espanca
Poesia Completa

I am lonely cow-boy!

3.07.2006

Decida sobre política de Ciência


Apresento um site onde está online um pedido de opinião sobre vários temas como stem cells, nanotecnologias, testes genéticos, neurobiologia entre outros. A particularidade deste inquérito reside no processo de discussão. Através de um jogo, são dadas "cartas" aos cinco jogadores que lhes permitiram ter argumentos, a favor e contra, sobre cada um dos temas independentemente de terem, ou não, qualquer tipo de informação prévia. Este inquérito é de facto ideal para quem não tem qualquer tipo de conhecimento nas áreas a avaliar, sendo realizadas por equipas dos vários países do mundo.
Para além do método em si, que suscita a curiosidade, os "jogos " já efectuados em cada país permitem concluir, se dúvidas houvesse, que existem realmente diferenças entre Europeus, Canadianos, Sul Africanos e Americanos.
O processo está em curso participe, divirta-se com mais 4 amigos durante 80 minutos, e aprenda sobre os temas mais quentes da biologia. Por outro lado a sua opinião poderá ser importante na tomada de decisão política nestas áreas. Sim, porque no fim ser-lhe-ão pedidas propostas.


http://www.playdecide.org/decide_content.html





2.27.2006

Como os europeus vêem os americanos

Um artigo de publicado hoje no diário de notícias, exprime uma opinião sobre as novas leis anti-tabaco que têm vindo a ser aprovadas na Europa e até em Espanha. Esta será a lei que nos esperará dentro em breve. Aconselho que todos os fumadores comecem a fazer os devidos tratamentos para deixarem de fumar. Um pequeno aparte, em Espanha, pelo menos no sul, lê-se em vários bares: permitida a entrada a fumadores.

“Os limites do tabagismo


A Inglaterra acaba de proibir o tabaco em locais públicos. Uma proibição absoluta, que não admite excepções. O mesmo acontece em Espanha, que, há um mês, também proibiu que se fume no trabalho, nos bares e nos restaurantes. As leis antitabagistas vieram para ficar. Os fumadores consideram- -se perseguidos por uma nova ideologia repressiva. Hitler, de acordo com as últimas notícias, não apreciava fumadores. A civilização ocidental, que elogia o asseio e o aprumo físico, também não.Confesso que não fumo, que, salvo excepções, não me incomoda que fumem ao meu lado e que não me acho, por não fumar, mais limpo do que os fumadores. Também me parece que se os motivos das leis antitabagistas são a erradicação do vício e a obsessão com a saúde, o melhor é ficar tudo como está. Não aceito o paternalismo higiénico de um Estado que, enquanto censura o uso do tabaco, cobra impostos sobre o tabaco. Não aceito um Estado que se assanha numa luta contra os fumadores e continua brando em relação à maioria das agressões ao ambiente. Não aceito um mundo sem vícios.Mas, dito isto, devo dizer que algumas leis antitabagistas em alguns locais públicos (incluindo os restaurantes) são justas. Os fumadores que tenham paciência. Sei que se acham perseguidos e se incluem no vasto rol de vítimas no mundo contemporâneo. Observam que não prejudicam ninguém, que o Estado não tem de se meter na sua liberdade, que são eles os donos da sua saúde, que há dezenas de produtos tóxicos mais graves que o tabaco, que o problema do fumo passivo não passa de um equívoco médico. Em nenhum destes argumentos têm razão. Não se trata de lhes retirar a sua liberdade, mas de defender a liberdade de quem não quer ser exposto ao fumo. E não se trata de zelar pela sua saúde, mas de defender uma relativa igualdade entre todos. Há uma imensidão de vícios piores do que o tabaco. Não recomendo, por exemplo, uma expedição pela Avenida da Liberdade ao meio-dia. Mas isso não justifica que os fumadores imponham por sistema os seus hábitos aos não fumadores.
Pedro Lomba
pedro.lomba@clix.pt

http://dn.sapo.pt/2006/02/24/opiniao/os_limites_tabagismo.html

Diário de Notícias, 24 de Fevereiro de 2005”

A L E R T A - Direcção Geral De Saúde



"Saiu na imprensa diária que caso se encontre alguma ave morta na viapública se deve avisar de imediato a Inspecção-Geral de Veterinária pararecolha e posterior análise do animal e NUNCA TOCAR no mesmo. Falam de pardais, pombos, perdizes, garças e principalmente patos,cegonhas e gaivotas, os mais prováveis portadores do vírus da gripe dasaves.
Para tal, aqui fica o nº azul da Inspecção-Geral Veterinária: 21 323 96 96 .

Por favor divulguem."

2.21.2006

Bendita Comissão Europeia

A prova que “depressa e bem não há quem” está patenteada no último relatório da comissão europeia sobre a situação económica em Portugal. De facto, a comissão recomenda cautela e, à semelhança do que o senso comum determinaria numa situação complicada como a nossa, uma “avaliação cuidadosa do impacto da dívida nos grandes projectos de investimento público, incluindo aqueles que implicam uma parceria com o sector privado” (Expresso online, 20 de Fevereiro). A comissão europeia no seu relatório traduz uma elevada apreensão quanto ao impacto dos projectos da Ota e do TGV na dívida pública Portuguesa.
Será oportunidade para dizer: Bendita comissão europeia. Isso, já todo o povo português (com certeza a maioria) tinha percebido. Mas não, não são estes “simples funcionários públicos”, (nas palavras do Primeiro-Ministro) e/ ou “simples funcionários por conta de outrem”, todos eles cheios de senso -comum, os responsáveis pela tomada destas decisões.
Sim porque todos estes simples funcionários estranharam que projectos e obras de semelhante envergadura tenham recebido luz verde ao fim de 10-15 anos, como se, subitamente, o estado tivesse sido atacado de eficiência…

2.17.2006

Correio Azul

Afinal o Presidente da Câmara do Porto não perdeu o piu. De facto, em mais uma das suas agradáveis e construtivas intervenções protestou com a RAVE (Rede ferroviária de Alta Velocidade) por esta não se ter apresentado disponível para dialogar com a junta metropolitana do Porto- na pessoa do Dr. Rui Rio.
A parte gaga de toda esta questão reside no facto de o belicoso Presidente da Câmara do Porto ter enviado uma carta em correio azul ao Presidente da Administração da Empresa, Sousa Pardal, da qual não obteve resposta.

Será que Rui Rio vai também protestar com os CTT?

Amália e Eusébio na internet...



Depois do site do Cavaco Silva,a leitura digital está definitivamente na moda !!!




http://www.oddcast.com/home/demos/tts/frameset.php?frame1=talk

Sim é verdade, tenho gasto o meu tempo de uma forma fútil....

2.15.2006

Enfim de volta!

Depois deste longo interregno no blog, estou finalmente de volta com uma nova alma. Longe do malfadado período eleitoral poderemos falar de outros assuntos mais importantes do nosso dia-a-dia.
De facto espero que em 2006, em que o “sounds & whispers” completará o seu primeiro ano de existência, possa gozar de uma intervenção mais activa dos poucos que estoicamente permanecem a visitar esta página.
Depois da Opa muito, pouco ou nada hostil, aguardo as novas perspectivas se abrem num País que será seguramente diferente com um novo Presidente em concertação (já se entendeu que sim) com o primeiro-ministro.
Pelo menos até ao próximo 10 de Junho não consta que possa haver mais condecorações pois, entre outros motivos, o senhor que faz as medalhas vai tirar as férias acumuladas depois destes dez anos a trabalhar arduamente, para não falar da loucura que deve ter sido a recta final. Pena é que eu tenha ficado de fora. Mas lá chegará o seu dia!

1.26.2006

Aonde está o Wally???


Eis um ministro de quem se esperava muito, para além de garantir a viabilidade do Técnico, e que pura e simplesmente se encontra eclipsado? Apenas aparece para fazer uns desmentidos que na realidade não o são...

Desespero

Se dúvidas houvesse relativamente à interrupção “involuntária” de Manuel Alegre, por Sócrates, na noite das eleições, eis que surge uma notícias deveras interessante no expresso online.

1.24.2006

Souto Moura e os demais...

Resolvi publicar parte de um mail que me foi enviado, subtraindo a maioria dos considerandos pouco objectivos e quiçá insultuosos, que permitem ter uma outra visão de um assunto quente e mal contado que envolve o Procurador Geral da República.


“O caso da publicação da facturação detalhada dos clientes do Estado
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=188158&idCanal=181)
justifica esclarecimento.

Deixemos as interpretações meta-falaciosas da presunção-quase-certeza que os magistrados do Ministério Público viram os registos ocultos de outros números que se escondiam debaixo do filtro do Excel. Vamos aos factos:

1. O Ministério Público pediu à Portugal Telecom (PT) a facturação
detalhada do telefone de casa de Paulo Pedroso, atento os vários testemunhos de adolescentes e jovens que o acusavam de abuso sexual de crianças.

2. A PT segue o procedimento padrão em vigor na empresa e selecciona a
facturação detalhada do cliente. O cliente era... o Estado!

3. O funcionário da PT que respondeu à ordem judicial, em vez de copiar e colar (copy-paste) apenas a facturação de Paulo Pedroso
noutro ficheiro do Excel e enviar apenas a informação pedida, mandou a
facturação de todos os telefones-borlistas do cliente-Estado (entre os
quais, descobriu o País, estão os telefones das três casas de Mário
Soares!...).

4. Como, devido à sensibilidade da informação, a procuradora do Ministério Público pediu que o registo fosse fornecido em suporte digital, o funcionário, habituado a imprimir a facturação detalhada solicitada, que o Excel permite isolar, colocou um filtro para a facturação detalhada de Pedroso, que a expunha, ocultando as outras dos telefones-borlistas do Estado, mas não as apagou, como devia e tinha, por obrigação estrita, de fazer...  De facto, neste ponto deveria ser indagado o papel da PT no meio desta história toda (aparte meu, panoramix).

5. Os magistrados do Ministério Público que abriram o ficheiro viram, com certeza, a única informação que estava exposta - a facturação detalhada de Paulo Pedroso. Não é legítimo pressupor ou concluir que vasculharam todo o ficheiro e viram a informação que estava escondida. De outro modo, certamente devolveriam de imediato as disquetes à PT e pediriam que fosse junta apenas a informação específica pedida, pois sabiam do interesse da rede pedófila em aproveitar qualquer lapso para castigar a investigação.

6. Para além do Ministério Público, que teve acesso às disquetes que tinham a informação referida (a facturação detalhada de Pedroso exposta e a facturação detalhada escondida dos demais telefones-borlistas do Estado), no registo de consulta desse Apenso V (v.
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=188158&idCanal=181) constam
dois advogados: Maria João Costa (advogada de Ferreira Diniz) e Ricardo Sá Fernandes (advogado de Carlos Cruz).

7. A Dra. Maria João Costa é tida no processo como uma advogada combativa que defende com vigor o seu cliente, acusado de abuso sexual de crianças, mas não costuma falar com jornalistas. Não disse ter visto os registos ocultos.

8. O Dr. Ricardo Sá Fernandes, advogado do mesmo arguido de abuso Sexual de crianças que tem no jornaleiro Jorge van Krieken Mota o defensor profissional, reconheceu (v.
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=188158&idCanal=181) ter visto a facturação detalhada desses telefones-borlistas do Estado e que pediu a ajuda de um perito informático para as analisar.

9. Como quem abrisse o ficheiro do Excel via imediatamente a facturação detalhada de Paulo Pedroso, não era precisa a ajuda de um técnico de informática (da PortugalMail de van Krieken, colega de defesa de Cruz, ou de outra firma) para nada. A não ser que fosse vasculhar os registos ocultos.

10. A obrigação indeclinável e imediata do advogado Ricardo Sá Fernandes era prevenir o MP e a juíz do processo desse facto para que essa informação deixasse de estar disponível para consulta de quem quer que fosse. Não consta que o tenha feito.

11. Jorge van Krieken Mota e o seu colega Joaquim Eduardo Oliveira obtém da própria Portugal Telecom a informação da identidade dos telefones confidenciais do Estado e... publicam-na, na malévola sexta-feira 13 de Janeiro, no 24Horas - jornal da Lusomundo Serviços da hidra Controliveste/Olivedesportos (v.
http://www.ptmultimedia.pt/pdfs/FCHLMDP.pdf) quatro dias antes do procurador-geral da República comparecer, conforme previsto, na Assembleia da República por decisão... da maioria PS para prestar esclarecimentos sobre... um processo judicial determinado onde foi arguido... o ex-número dois do partido e publicamente referidos vários outros políticos socialistas (entre os quais, o actual presidente da Assembleia da República Jaime Gama e o ex-líder Ferro Rodrigues) que acabaram por não ser, até ao momento, acusados pelo Ministério Público.

12. O 24Horas, jornal que se tem destacado na defesa ostensiva dos Arguidos da Casa Pia, nomeadamente de Carlos Cruz, denuncia o erro da associada PT. Este ataque evidencia o emprego pela rede de todos os meios possíveis de ataque ao adversário, independentemente dos prejuízos económicos consequentes para o próprio grupo PT! (....)

13. O Governo, cumprindo o seu papel encapotado na orquestração delineada previamente, manifesta a sua preocupação e dá sinal que se o Presidente da República aceitar, propõe a demissão do procurador-geral.

14. O Presidente da República Jorge Sampaio, que tem recebido de José Adriano Machado de Souto de Moura (paradoxalmente, o autor do processo
de que fui vítima...), reiteradas vezes, a garantia da isenção no processo, é informado pelo procurador-geral sobre a actuação do Ministério Público(MP)no problema do "envelope 9" (v.
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=633965&div_id=291),
mas, mesmo assim, faz um ultimato (v.
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=634376&div_id=291)

público humilhante, através de declaração solene e dramática ao País, ao procurador-geral para que num prazo curto lhe explique o erro... da PT!...

15. Van Krieken, no seu site (link desprezível), queixa-se dos "figurões" da República, dando a entender que o amigo Cruz não está satisfeito com o tratamento recebido do Estado.

16. Na próxima sexta-feira, 20 de Janeiro, o procurador-geral será
fustigado na Assembleia da República relativamente a um determinado processo judicial por deputados-advogados (v.

http://www.parlamento.pt/deputados/Deputado.aspx?ID=1700) envolvidos
na orquestração da indignação de que se queixam...

"(...)”

1.20.2006

Portugal e os Portugueses serão Maiores

Gostaria de manifestar todo o meu apoio, pois ainda não o fiz, ao candidato que vou escolher.
Porque quero um país com uma política de seriedade; acredito na democracia; aposto e defendo a igualdade de oportunidades, em que as pessoas vencem pelo seu mérito e nunca porque nasceram em berço de ouro, vou votar no Prof. Cavaco Silva.

Sinceramente espero que ganhe as próximas eleições.


Faltam 72h para o dia D

Espero que no próximo domingo possamos ter umas eleições calmas, com resultados claros.
Deixem-me fazer um pouco de futurologia, e garanto-vos que não tenho de ser muito dotada, sobre o que se vai acontecer no dia das eleições. Mário Soares vai, como nas duas últimas vezes, violar a lei eleitoral . Não será um apelo ao voto no PS, pois os eleitores ficariam baralhados sem saber em qual dos dois candidatos socialistas votariam; muito menos será o apelo ao voto no filho pois ainda falta para chegar a sua altura. Desta vez,  completar-se-à o leque de violações à lei eleitoral, com o apelo ao voto nele próprio durante as eleições presidenciais. Como de costume, falar-se-á do assunto até às 20h, hora a partir da qual a Comissão Nacional de Eleições fará por passar despercebida e rapidamente quererá esquecer o incidente provocado por tão provecta pessoa.
Entre as 20h e as 21h teremos a divulgação quase correcta dos resultados eleitorais, a não ser que voltem a tentar os sistema operativo linux. A propósito, nunca foram apuradas responsabilidades, ou foram? Neste país a culpa morre sempre solteira.

1.18.2006

Gafes

Ontem, 17 de Janeiro, li no público mais um dos fantásticos comentários e cheio de razão de Garcia Pereira que publico de seguida.


Garcia Pereira denuncia "completo desnorte" de Mário Soares
O candidato presidencial Garcia Pereira considerou hoje que a garantia dada por Mário Soares sobre a não privatização dos estaleiros navais de Viana do Castelo é um "sintoma do completo desnorte e desespero" da candidatura apoiada pelo PS.
"Além do cadáver do Governo, a candidatura de Mário Soares já transporta o caixão, as flores e os restantes apetrechos do respectivo funeral", afirmou Garcia Pereira, no final de um almoço em Pias, Serpa.Garcia Pereira falava aos jornalistas, depois de hoje, em Viana do Castelo, Mário Soares ter afirmado que recebeu garantias do Governo de que aqueles estaleiros navais não serão privatizados.O candidato apoiado pelo PS disse a representantes dos trabalhadores dos estaleiros ter recebido a garantia do ministro da Defesa, Luís Amado, de que não existe qualquer intenção de privatizar a empresa - uma sociedade anónima com capitais totalmente públicos.Para o candidato apoiado pelo PCTP-MRPP, o facto de o ministro da Defesa ter apresentado garantias a Mário Soares sobre este assunto configura uma "violação gravíssima dos deveres de neutralidade e imparcialidade" do Governo."É absolutamente lastimável que o Governo esteja a violar esses deveres, favorecendo um candidato", criticou também Garcia Pereira.Esta atitude serve apenas para "prejudicar, ainda mais, a candidatura de Mário Soares" porque os eleitores "não desculpam que se esteja a tentar utilizar, em desespero de causa, truques deste tipo", frisou."Desde o início que considero perdedora a candidatura de Soares porque parte do pressuposto de pretender consubstanciar uma ajuda ao Governo. O Presidente da República não tem que ser um intérprete do Governo, pelo contrário", sublinhou ainda o candidato.


Esquerda Intolerante

Desde o meu último post até hoje, continuo na árdua luta de tentar escrever sobre algo diferente do que temos ouvido, na rua, na rádio, nos jornais... Tem-me sido completamente impossível esquecer o momento que vivemos. Se calhar, também pode ser bom não o esquecermos porque de certeza que a probabilidade de irmos votar aumenta.
Por outro lado, gostaria de deixar escrito o quanto a pseudo-elite que me rodeia na rua, na rádio, nos jornais.
E porque não quero insultar ninguém, que eu possa considerar meu amigo, quero limitar-me a dizer que:
1-não entendo como a mesma auto - intitulada esquerda, que se finge de intelectual, é fervorosa apoiante de Lula da Silva no Brasil, que já foi um humilde trabalhador, que bebe demais (é um puro eufemismo) e não sai muito bem (outro eufemismo)da história do mensalão;
2- ataca um candidato no nosso país com o argumento de não saber comer, de vir do povo.

Tratam-se de duas pessoas bastante diferentes com um único ponto óbvio em comum –o  facto de ambos virem do povo. Se este se tornou positivo no caso do ex-sindicalista Lula, manifestamente exclui e segrega o Prof. Cavaco Silva.

Friamente, a “snobeira” elitista que ataca a nossa denominada esquerda tem grandes contradições que encerram uma grande intolerância ideológica e social (mas só para alguns).

1.13.2006

Contra a PT

Aproveito este espaço, ainda que lido por muito poucos, para manifestar com veemência o meu desagrado pelo anúncio da PT que abusivamente utiliza o hino Nacional. O hino como pano de fundo pretende subliminarmente transmitir a ideia de uma empresa pública Portuguesa. Penso ser gratuita a utilização de símbolos nacionais em campanhas publicitárias, bem como ser um crime a sua apropriação para a transmissão de mensagens erradas. Nem a PT é pública e muito menos tem consideração pelos Portugueses. Quem como nós é vítima do monopólio desta empresa no telefone, na Internet e telemóveis, para não falar na participação indirecta nos meios de comunicação social, sabe que isso é verdade.
Também sabemos, lendo nas entrelinhas, as múltiplas influências que este empresa exerce na causa pública. Quer indirectamente, quer colocando os seus peões em pontos chave do governo.
Abaixo a PT! Abaixo a Netcabo! Abaixo a TMN!

1.09.2006

Garcia Pereira


Hoje resolvi escrever sobre Garcia Pereira, nomeadamente referir a sua coragem com que paulatinamente e de uma forma séria tem vindo a lutar pelos valores em que acredita, nunca abdicando do conteúdo ideológico contra os ventos da moda.
As suas candidaturas, as várias à Presidência” da República, legislativas e câmara de Lisboa deixam-me atónita pela persistência.
Ao contrário de outros da dita extrema esquerda, os problemas colocados são os da maioria e nunca lhe ouvi os muito em voga “sound bytes”. Hoje, mais uma vez fiquei surpreendida pela sua sensatez e sobretudo pela falta de eco que ela encontra na dita esquerda.
Sem ser apoiante da sua candidatura (longe disso), partilho as questões de princípio e sobretudo admiro a sua persistência.


Pela coragem, Garcia Pereira à Presidência já!

1.07.2006

Razões que a Razão desconhece



De regresso ao blog, ainda pouco inspirado, publico um artigo do Expresso, que transmite cabalmente alguma das minhas preocupações sobre a nova refinaria de Sines, cuja construção foi apressadamente aprovada com o desconhecimento do próprio presidente da câmara – segundo imagens e som mostrados no telejornal.


“O exame do Conselho dos DozePara que serve a refinaria de Sines?


Seria suposto que um grande investimento numa nova refinaria em Sines, promovido do lado português por Patrick Monteiro de Barros, apoiado pelo Governo, e com investimento estrangeiro, suscitasse um apoio mais ou menos entusiástico a um painel informado como o do Conselho dos Doze. Mas esse apoio não é evidente. Porquê? Uma parte do painel formula uma aprovação genérica, considerando que é o mercado a funcionar.
Mas há outras questões em concreto: Augusto Mateus diz taxativamente «não» ao interesse estratégico da refinaria; Henrique Neto acrescenta as questões da segurança e interroga-se - tal como João Salgueiro - sobre a possibilidade de vir a ser fechada a refinaria da Petrogal em Matosinhos; Ferreira de Oliveira, ex-concorrente à Galp, e Mira Amaral sublinham que uma nova refinaria não é indispensável para o mercado português, acrescentando este último que não será criado muito emprego, além de ter «impactos ambientais a ter em conta»; Teodora Cardoso sublinha, por fim, que se há um impacto positivo nas exportações, também há um negativo nas importações (o petróleo que chega para refinar), obrigando-nos entretanto a comprar pesados «direitos de poluir» que não vão ajudar ao cumprimento do Protocolo de Quioto. «Onde estão os estudos em que se baseia o forte apoio do Estado?», pergunta a economista. Para um país que faz do turismo a sua salvação, haverá maior bomba-relógio sobre a costa vicentina do que multiplicar exponencialmente o número de petroleiros a chegar e a partir de Sines? Para se ficar em Portugal com uma percentagem do lucro da refinação?”

12.28.2005

Touching the hand of God!




Esperemos que 2006 seja um melhor ano! Eu farei tudo para festejar bem o fim de 2005.
Até breve.

12.27.2005

"O Caso Mário Soares"



Um artigo de opinião muito interessante escrito por Eduardo Prado Coelho com a sua habitual acutilância.




“O caso Mário Soares”


Eduardo Prado Coelho o fio do horizonte
Segunda, 26 de Dezembro de 2005

Primeiro ponto: ao contrário do que por vezes pensam, na eterna tendência para fulanizar todas as questões, eu tenho e continuo a ter a maior simpatia pela figura de Mário Soares. Ainda há dias, vendo-o rebater as enormidades proferidas por Ribeiro e Castro (como é que uma pessoa responsável faz afirmações que atropelam verdades históricas elementares? como é que a cegueira ideológica leva a dizer tantos disparates?), senti a força do combatente de ideias, atento a todas as transgressões do bom senso e do respeito mínimo pelos adversários.

Segundo ponto: acho que o PS levou demasiado tempo a apostar num candidato com poucas hipóteses como António Guterres (é o próprio que o reconhece), e perdeu a oportunidade de avançar no devido tempo com um candidato para a esquerda.

Terceiro ponto: creio que a ideia de candidatura de Mário Soares (que desde há um ano era uma hipótese na sua cabeça) não tem nada que a justifique. Por isso não suscitou qualquer vaga de fundo no país, provocando antes cepticismo, irritação pelo modo desastrado como a candidatura foi imposta, ditos atrevidos e anedotas desagradáveis, num fim de festa cabisbaixo que nem mesmo conseguiu galvanizar os seus apoiantes (excepto, ao que consta, Joana Amaral Dias, que desbloqueou completamente).

Quarto ponto: a posição actual de Mário Soares é profundamente contraditória. Na verdade, Soares é um homem da afirmação, é um militante do sim. Com o modo algo restrito como caracteriza os poderes presidenciáveis, na tentativa de cortar pela raiz o programa dos adversários, acaba por só ter para oferecer a sua experiência, o que é uma arma de dois gumes (é a experiência do politico que defrontou situações difíceis, mas é também a experiência inerente a uma idade avançada). Ora a candidatura de Soares vive de uma obsessão quase doentia: o perigo para a democracia da vitória de Cavaco. É uma negação permanente (mesmo quando Soares promete num dia que não vai voltar a falar de Cavaco, no dia seguinte tem uma recaída aparatosa).

Quinto ponto: o debate de Soares com Cavaco foi para Soares um verdadeiro suicídio político. Soares procurava desestabilizar Cavaco com toda a espécie de agressões. Cavaco, mesmo confessando a dado momento que precisava de se conter, manteve uma postura absolutamente impecável, ajustada à imagem que nós temos de um Chefe de Estado. Soares, não. A sua atitude foi a de um líder da oposição que quer esmagar o adversário a qualquer custo. Face aos elogios de Cavaco, Soares disse coisas espantosas sobretudo sobre a personalidade e a formação de Cavaco. Chegou ao desplante de afirmar que Cavaco era um razoável economista, mas não um Prémio Nobel, como se a história contasse com muitos Prémios Nobeis no lugar de Presidentes. Foi desagradável ao agitar comentários de amigos seus em relação ao aspecto hirto e pouco conversador de Cavaco em reuniões internacionais.

Há coisas que um Presidente da República não pode fazer. Soares fez. E foi hilariante quando se quis apresentar como um verdadeiro conhecedor de economia que tinha salvo o país.
Sexto ponto: se Cavaco ganhar à primeira volta, deverá agradecer a Soares.

Professor Universitário.
Membro da Comissão de Honra da candidatura de Manuel Alegre

12.22.2005

Nicole Fontaine e Mário Soares


Mário Soares visto por Nicole Fontaine em http://www.fenetreeurope.com/file/2002/file58.htm,


“Être une femme : le premier combat de Nicole Fontaine


A l’heure de la parité, Nicole Fontaine a dû faire face, dès les premières heures de son mandat, à «un soupçon de machisme» : au lendemain de son discours de prise de fonctions, le Portugais Mario Soares qualifie son allocution de «discurso de dona da casa» soit, en français, «discours de maîtresse de maison».Peu de temps après ce premier incident, décrit par ailleurs avec beaucoup d’humour, Madame Fontaine décide de se rendre au Maroc pour représenter le Parlement européen aux obsèques du roi Hassan II. Le fait d’être une femme représente un obstacle majeur : la cérémonie des funérailles leur est interdite. Elle devra se battre pour rejoindre le cortège funéraire aux côtés de Jacques Chirac, de Bill Clinton, de Valéry Giscard d’Estaing et du roi d’Espagne. Selon le protocole, la présidente de la plus grande assemblée démocratique au monde aurait dû patienter à l’hôtel, en compagnie des épouses des chefs d’Etat. Sa détermination aura raison de la tradition. Au policier qui lui précise «vous êtes une femme, votre place n’est pas dans le cortège», elle répondra : «Femme ou non, je représente ici 380 millions d’Européens».”

E também "ele"




A propósito da deselegância de Mário Soares, um artigo hilariante de Proença de Carvalho publicado em “O Sinédrio” intitulado
“ele”.

Enfim, férias!

Nesta época Natalícia não me está a apetecer escrever. Mesmo nada.

A minha inércia  ainda aumentou pelo facto de a noite de ontem nada ter tido de Natalícia, nem de pacífica.
Depois do “combate” entre Mário Soares e Cavaco Silva há uma pergunta que se impõe.
Será que alguém mudou de opinião em função do debate?

Penso que qualquer debate entre Mário Soares e Cavaco Silva, duas personalidades, sobejamente conhecidas da nossa recente democracia, muito dificilmente poderia levar a grandes alterações na intenção de voto. Suponho que as sondagens não vão contrariar a minha teoria.

Mesmo os mais incautos pensavam que apenas uma hecatombe poderia conduzir a alterações significativas no panorama nacional. Por isso também facilmente se conclui, se necessidade de mais evidências houvesse, que não são precisos mais debates televisivos para coisa alguma.

Na sequência do espectáculo de ontem a minha opinião sobre os dois candidatos alterou-se significativamente. Mário Soares ao tentar algo de inexplicavelmente mau conseguiu que eu, quem me conhece sabe muito bem que nunca fui cavaquista - antes pelo contrário –, tenha ganho a consciência que no dia 22 de Janeiro nunca me poderei abster de expressar a minha opinião. E sobretudo, não poderei deixar que outros façam por mim a escolha do próximo Presidente da República. No meio daquele pesadelo, foi um alívio ter chegado a uma conclusão tão clara. O meu voto não pode ser outro.

A vertigem do poder deve ser deveras estupidificante. Antes Otelo Saraiva de Carvalho, e agora Mário Soares. Dois homens diferentes, que outrora se confrontaram e que têm um fim muito semelhante.

12.18.2005

Manuel Alegre (1) - Mário Soares (0)

Aqui vai um texto que devido a dificuldades várias não consegui publicar na altura devida.

Assisti ontem a mais um debate entre os candidatos à Presidência da República. Não consigo perceber como ainda ninguém referiu o pior destes debates - os jornalistas. Fala-se vezes sem conta sobre os candidatos, em particular sobre o que não disseram, esquecendo-nos  que temos jornalistas que os deviam incomodar com as perguntas certas. Estes estiveram particularmente mal no debate da TVI. A Constança Cunha e Sá, que tem os seus dias, não estava decididamente num deles. E o Miguel Sousa Tavares esqueceu-se por diversas vezes que não queríamos ouvir as suas opiniões para nada. Parafraseando alguém que eu conheço: Perguntas inteligentes meus senhores, por favor!!!
Pela segunda vez, Mário Soares diz que não teve nenhuma ligação ao partido socialista nos últimos anos. Esta afirmação fica-lhe muito mal porque é pura mentira. Então, não foi candidato ao Parlamento Europeu pelas listas do PS?
Por duas vezes, e penso que com quatro jornalistas/comentadores distintos, faltou à verdade e ninguém lhe avivou a memória. Fica muito mal a quem se diz um defensor da classe política
Mário Soares, republicano de longa data, como gosta de afirmar, enunciou perante Manuel Alegre um dos princípios da Monarquia. De facto, por que razão haveríamos de estar a votar num candidato a presidente da república, quando podemos escolher um que já conhece o protocolo e sabe com quem pode negociar? Não terão sido estas as palavras, mas o sentido é o mesmo.
Deixem-me pois reorganizar esta ideia e completando com o que ouvi hoje da boca de Mário Soares: Se os Presidentes da República não podem fazer quase nada (vide fotografia das Seicheles (?) publicada nesta página) e quase nada podem influenciar, porque não poderemos ter uma Monarquia, com um Rei treinado desde o berço para a sua função. Poupávamo-nos a estes debates ridículos entre republicanos e laicos, a discutir a constituição. Desta forma acabariam as guerras sobre o apoio dos partidos às várias candidaturas e poder-se-iam manter, por mais uns anitos algumas amizades (?) de longa data. Seria também a resolução dos problemas para os que temem quem não sabe comer bolo rei.
Estas ideias não ficam mesmo nada bem a um filho de um republicano - leia-se Mário Soares. Dão azo a que outros comecem a interrogar o sistema republicano em que vivem e que sustentam. Sim, porque o único poder institucional que elegem directamente ( de facto estou a esquecer-me da assembleia da repúbliaca com os deputados mas estes, todos sabemos, estão sob a alçada da obediência partidária), nada pode fazer!

12.13.2005

Soares numa Presidência Aberta com amigos


Não sei se este banho foi nas Seicheles ou na Fernando Noronha. Infelizmente, nunca fiz para das suas largas comitivas.

Marinha Grande 2

Há bem pouco tempo, tive uma conversa inócua, e no mundo das mais remotas suposições, sobre a eventualidade de Mário Soares ser vítima de agressões, à semelhança das da Marinha Grande, que tiveram lugar durante a sua primeira campanha para as presidenciais. Ainda no mundo da fantasia, questionava-me sobre a possibilidade desses mesmos actos, caso não surgissem espontaneamente, poderem ser forjados, tal qual Oliveira Salazar em momento de crise.

Todos sabemos que o caso Marinha Grande provocou uma grande inflexão na popularidade e que foi decisivo, nessa altura, para o arranque de Mário Soares. Não quero acreditar que este incidente, agora em Barcelos, bastante suave e que a meu ver se resumiu a uns insultos - a que nenhum político, independentemente do seu grau de popularidade e honestidade se consegue esquivar – , se enquadre num plano de desespero nº10 de algum director de campanha.

No entanto, este episódio, que se poderia ter rapidamente esvaído na memória do tempo e da comunicação social à semelhança dos ataques verbais e físicos ao Rui Rio no Porto durante as suas visitas aos bairros de Aldoar e de Campanha, foi estranhamente enfatizado.

Mais invulgar são as últimas declarações de Mário Soares, que prontamente tinha desvalorizado o facto, vem contrariar as primeiras declarações. Afirma ainda coisas estranhas como:
«Vou ver quem ele é e o que faz»;
«Fez-me acusações muito graves e tenho possivelmente que o accionar judicialmente. Prezo a minha honorabilidade pessoal»

(http://online.expresso.clix.pt/1pagina/artigo.asp?id=24755823)

Parece-me que Mário Soares está a querer dar relevância à situação. Como poderemos levar a sério  um ex-combatente que se apresenta devidamente identificado de boné, em frente a todas as câmaras e com vários microfones a rodeá-lo. Ainda por cima, com grande ineficácia para a agressão.

12.09.2005

Ministério da Educação

Aqui vai mais um e-mail que eu recebi sobre a realidade no ensino secundário.

“Algo se passa no reino do Ministério da Educação!

O ano lectivo abriu bem, com os professores colocados, mérito que deve, em rigor, ser repartido com a anterior ministra e com o director geral dos recursos humanos contratado por Maria do Carmo Seabra para resolver a embrulhada informática - o único que não foi substituído.
Em vez de valorizar a função docente, tratou os professores todos como incompetentes, desmobilizando os milhares que têm paixão pela escola.
Os sindicatos dos professores ajudam, pois convocam uma greve irresponsável, aos exames - e aqui a ministra esteve bem.

Não esteve bem, de facto, ao contratar aulas de inglês à pressa a institutos quando há milhares de professores com horários zero.

Foi precipitada e demagógica ao obriga os professores a estarem muito mais tempo na escola, sem fazerem nada 

O ambiente nas escolas é péssimo - e não há boa escola com os professores desmotivados pelo próprio ministério e desconsiderados pela opinião pública.

Agora, mandou retirar os crucifixos, em resposta a uma obscura associação a quem coube a iniciativa de enviar uma carta muito laica e republicana à ministra e que se deu ao trabalho de elaborar o dossier anexo, disponível online.
E, não contente, vai reduzir para 3 os exames do 12º ano, reduzindo a exigência - aonde está a busca da qualidade de tanto se fala.

Por fim, o ministério apresenta agora uma proposta de uma lei que instituí o visto prévio nos manuais escolares. Como é típico das "democracias avançadas no limiar do século XXI" (!!!) e prepara-se para contratar centenas de professores para, de forma centralizada e sem recurso possível, desencadearem a operação de censura prévia dos livros de filosofia, história, geografia, português, etc. Mais uma vez a desconsideração face aos professores e face à escola, pois deixam se ser estes, e as escolas, (isto é:o mercado) a fazer a selecção da oferta, em liberdade.

Como se não bastasse, tem um secretario de estado que não hesitou em divulgar o absentismo dos professores, mas que mente sobre as suas próprias faltas e falta à palavra dada no processo eleitoral para a escola de que foi presidente.

Que se passa com a educação, afinal?”

Crucifixos II

Resolvi publicar um mail que me chegou que tem uma perspectiva interessante quanto ao radicalismo que se vive na sociedade Portuguesa.

“Senhor. Primeiro Ministro José Sócrates,
Tendo tomado o seu governo a decisão de promover a retirada dos crucifixos das salas de aula do nosso País, com a justificação que o estado português é um estado laico e que não se pode impor às crianças símbolos desta ou daquela religião, venho por este meio lembrá-lo que, da mesma forma, o nosso estado laico ainda promove, apoia e estimula verdadeiros abusos religiosos aos nossos cidadãos.
Refiro-me, obviamente, entre outros, a:
- Feriado Nacional para celebrar a Imaculada Concepção de Cristo - Feriado Nacional para celebrar o nascimento de Cristo. - Feriado Nacional para lembrarmo-nos de todos os Santos Católicos. - Feriado Nacional (numa 6a Feira, um dia de trabalho!) para reflectirmos sobre a morte de Cristo. - Feriado Nacional para celebrar a Sua posterior Ressurreição. - Feriado Nacional em honra da Ascensão aos Céus de Nossa (só de alguns, recordo-lhe) Senhora Maria, mãe de Cristo. - Feriado Nacional para honrar o Corpo de Cristo - Feriados Municipais para honrar os Santos Católicos, padroeiros das nossas mais diversas cidades, vilas e aldeias. - A presença das 5 chagas de Cristo na nossa Bandeira Nacional - O Monumento do Cristo Rei, na margem Sul do Tejo, um verdadeiro símbolo Cristão colocado num lugar de grande visibilidade e, certamente, muito incómodo para todos os que, não sendo Cristãos, para lá são forçados a olhar.
- À prática, comum, dos jogadores das nossas mais diversas selecções desportivas, de se benzerem enquanto em representação do nosso país.
Haveria, como é óbvio, muitos mais exemplos a apontar, mas estou certo que o senhor será capaz de os identificar e prontamente os eliminar da nossa vida nacional.
De imediato, estou certo que o Sr. Primeiro Ministro implementará de imediato a obrigatoriedade de comparecer ao trabalho a todos os funcionários do Estado em todos os dias úteis que sejam considerados, por alguns, como um dia religioso, caso este seja um dia de semana. A seu tempo, eliminará estes dias do calendário dos Feriados Nacionais, promovendo, desta forma, um aumento de produtividade acentuado.
Urge também proibir todos os nossos municípios de promoverem, tolerar, observar ou apoiar qualquer feriado de indole religiosa, sendo imediatamente abolidos os Santos Padroeiros das nossas cidades, vilas e aldeias.
De igual forma, estou certo que o Sr. Primeiro Ministro irá promover de imediato um concurso para a alteração e remoção de todos os elementos de índole religiosa da nossa Bandeira Nacional.
A demolição da estátua do Cristo Rei em Almada passará, por certo, a fazer parte das suas prioridades.
E estou certo que, tão logo acabe de ler esta missiva, irá instruir os presidentes das diversas Federações desportivas do País para que proíbam toda e qualquer manifestação religiosa por qualquer individuo que esteja em função de representação do nosso Portugal.
E, já agora, não se esqueça de proibir os sinos das igrejas de tocarem, a não ser em caso de fogo ou invasão estrangeira.
E a transmissão de cerimónias religiosas pelo canal publico de televisão!
Para finalizar, Sr. Primeiro Ministro, não se esqueça de, na próxima campanha eleitoral, lembrar as Portuguesas e os Portugueses que foi o Senhor, com o apoio do Partido Socialista, que teve a coragem de tomar estas medidas, tão justas e há tanto tempo ignoradas. É que o povo é muito esquecido, e é sempre bom lembrá-lo quem foram os responsáveis por estes actos de tão grande interesse Nacional.
Certo da sua coragem, convicção e empenho na aplicação das medidas sugeridas
Subscrevo-me,
Um cidadão Português, recenseado e com grande memória. “

12.07.2005

O Super Mário Faz 81 anos?!



Um ano depois de ter dito “basta de intervenção política” e depois de com jigajogas ter acabado com uma amizade de longa data (leia-se Manuel Alegre), Mário Soares terá bastante menos gente a seu lado no seu octogésimo primeiro aniversário.

Viagens na Minha Terra

Ontem, dia 6 de Dezembro o Tribunal de Contas diz num relatório resultante da auditoria realizada à empresa este ano, que a CP-Comboios de Portugal se encontra em falência técnica. Os vários défices de exploração e elevado nível de endividamento estão na base desta falência. Aparentemente nos últimos três anos a CP acumulou prejuízos que ascenderam a 741 milhões de euros.
Estão na base desta falência insuficiências na exploração das diferentes áreas de negócio da empresa. Esta situação parece resultar do facto de o carro continuar como o meio de transporte preferencial dos Portugueses. Penso que este não é um problema dos Portugueses. De facto, se comparamos o nosso sistema de transporte ferroviário com o de outros Países encontramos muitas razões para esta situação óbvias para o comum dos mortais como eu.
As linhas dos caminhos de ferro mantiveram-se decrépitas e por causa disso a compra dos comboios pendulares que serviram a linha Porto-Lisboa, tornou-se inútil. A compra dos pendulares fez apenas ganhar meia hora em relação aos anteriores alfas. Há zonas em que o pendular circula a 10 km/h e nunca pode atingir a sua velocidade máxima, Não existe serviço de comboios depois das oito de noite e várias linhas fecharam. Para o Algarve, só quem não tem carro ou não tem idade para ter carta vai de comboio. Para Madrid, só um louco que não tem o que fazer ao tempo.
Por outro lado, as sempre rentáveis companhias de camionagem que apenas demoravam mais uma hora a levar os passageiros do centro da cidade do Porto para o centro da cidade de Lisboa por quase metade do preço. De facto, a relação rapidez/preço dos comboios é (quase era) muito má. O aparecimento das companhias aéreas Low-cost não augura nenhum bom futuro para qualquer linha Lisboa-Madrid, a funcionar nestas condições. E mesmo para o TGV... Já alguém averiguou se as linhas do TGV em Espanha são rentáveis? Quando o fizerem terão uma desagradável surpresa.

12.06.2005

Limiar da Pobreza

Tenho vivido durante os últimos tempos com uma questão pertinente que ontem foi reavivada por dois motivos. Tinha lido uma reportagem no El Pais que publicava em grandes títulos que 20% dos Espanhóis (1 em cada 5) vivem abaixo do limiar da Pobreza, exactamente no mesmo dia em que Manuel Alegre enfatizou o avanço do nosso vizinho relativamente ao nosso País.
Em 15 de Outubro deste mesmo ano, perto do dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, vários jornais e organizações Portuguesas afirmavam que Portugal tinha 20% de Pobres. Os mesmos dados eram então adiantados - 1 em cada 5 Portugueses, vive abaixo do limiar da Pobreza.
Alguma coisa está mal nesta avaliação. Ou o Limiar da Pobreza, que deve ser uma súmula de parâmetros, está longe de ser normalizada internacionalmente, ou não entendo como o Reino de Espanha está à nossa frente em quase tudo.

12.05.2005

Futurologia

Um artigo de opinião num cenário de futuro (próximo).

Otários
 
Ota 2017. Aterrei pela primeira vez no novíssimo Aeroporto da Ota. A viagem de Paris a bordo do também novíssimo Airbus entregue há dias à Air Varig-Portugal foi muito confortável e fez-me ter saudades da gestão de Fernando Pinto, o brasileiro que deu asas à TAP.
 
É estranho aterrar neste ermo, eu que durante dezenas de anos e centenas de voos me habituei à velha Portela.
 
A saída do avião foi agreste. A nave parou no final da pista (que os especialistas já dizem estar esgotada daqui a dez anos) longe das mangas coloridas que parecem abraçar o edifício de vidro e aço, um dos pouco orgulhos pós-socráticos.
 
A nortada que se fazia sentir não se recomenda nem aos inimigos, com aquele morro de um lado e um rio fazendo lembrar o Trancão do outro. Não fugindo à tradição, o autocarro demorou uma eternidade a chegar. Como sardinha em lata, bem comprimido entre um emigrante da última geração (cheio de «piercings» e turbante) e um antropólogo francês (em busca do último europeu que come de boca aberta, fuma no local de trabalho, bate na mulher e se assume como «cavacus antropopitecus»), sobrevevi.
 
Chegado ao hangar esperei 45 minutos pelas malas. Como não tinha cinco euros trocados para o carrinho tive de transportá-las às costas até ao táxi. Um motorista de cabelo rapado e bigode de três dias dentro de um dos novos Mercedes a hidrogénio desata aos insultos quando lhe digo para seguirmos até Lisboa. «Isto aqui é para trabalhar. Fretes só para o Algarve! Para Lisboa vai no comboio que vem do Entroncamento, pára em todas, e vai na hora. Deixe-me trabalhar!»
 
Indignado, ainda tentei chamar a polícia, mas o aeroporto, como foi construído com dinheiro dos privados (lembram-se do que disse Sócrates em 2005?), também só tem segurança privada e esses só apoiam quem pagou aquele suplemento «premium».
 
Hora e meia depois de aterrar consegui finalmente apanhar comboio para Lisboa. Pensando melhor foi bom ter sido corrido do táxi. A viagem custava 100 euros, metade do preço do voo «low coast» de Paris, e aquela entrada em Lisboa está sempre atascada de carros a qualquer hora, Enquanto não alargarem a Segunda Circular vai ser sempre aquele inferno!
 
Afinal, os tais comboios permanentes entre a Ota e Lisboa são uma ficção. Há comboios de hora a hora e se o voo atrasa podemos ter de esperar quase duas. O comboio devia ser o TGV, mas o projecto passou já por tantos adiamentos que ninguém arrisca uma data para a inauguração. De toda a maneira, a passagem pela Ota está bastante comprometida, pois implica um desvio e com tantos apeadeiros o TGV, se vier a existir, mais vai parecer o velho correio.
 
O aquecimento do comboio não funciona, como sempre, o restaurante só serve cevejas e salgados do dia anterior, as casas de banho estão impróprias para consumo. O que safa a viagem é a televisão que vai dando notícias. Cavaco, que já deixou a presidência, inaugurou hoje a sede da sua fundação. Foi comovente aquele abraço a Mário Soares, que não quis deixar de estar presente apesar da sua evidente debilidade física. Durão Barroso, que ganhou à tangente as presidenciais na segunda volta a Sócrates, está cada vez melhor no seu papel de Presidente da República. Os portugueses esqueceram a sua fuga em 2004 e penalizaram Sócrates por uma governação que tanto queria domar o défice que acabou de vez com qualquer veleidade de a economia portuguesa crescer. Não é por acaso que a Grécia é a nova Irlanda e o sonho de algumas jovens portuguesas é poderem ser actrizes na novela «Morangos Silvestres» da TV checa.
 
Já em Lisboa, passadas três horas de ter aterrado na Ota, percorro agora a Segunda Circular, sempre engarrafada. A Portela começou a ser dividida em talhões para construção. O único avião ali por perto é aquele que, transformado em bar, continua com os seus «show girls» noite dentro. Um sobrevivente.
 
Mais abaixo, na Avenida de Brasil, cruzo a Reinaldo Ferreira, a rua da minha infância, onde os aviões passavam a escassas centenas de metros da janela do meu quarto. Cresci com aquele barulho dia e noite. Ficava especado à espera que passasse um desses pássaros e me levasse na minha imaginação.
 
A Portela era um fascínio lisboeta. Dava uma dimensão cosmopolita ao país, perto do mundo.
 
Agora temos um elefante branco, longe, caro, não competitivo, desmotivador do turismo em Lisboa. Mais um buraco para pagarmos, depois das Scut , do TGV, da saúde, da educação. Uma lista impagável num país de otários.
 
 
Luiz Carvalho
 
http://online.expresso.clix.pt/1pagina/artigo.asp?id=24755576

Estado laico

Provavelmente os mesmos que em criticaram a proibição do uso de sinais religiosos em escolas francesas, como o tão falado véu, promovem a retirada dos crucifixos das escolas.
Não tenho qualquer problema em aceitar este facto, num estado laico como é o nosso. No entanto, não entendo como o mesmo Estado Laico homenageia Francisco Sá Carneiro com uma “missa de estado” no dia 4 de Dezembro.
Aqui vai um artigo de opinião publicado no diário de notícias sobre o problema da cruz.



“Tiro ao Crucifixo

Eu só quero que me expliquem isto porque é que ter um crucifixo pendurado na parede de uma escola é uma ofensa à laicidade do Estado e um atentado à Constituição, e já não é uma ofensa à laicidade do Estado nem um atentado à Constituição o país inteiro prestar homenagem, através de um dia feriado, ao nascimento de Jesus (Natal), à morte de Jesus (Sexta-feira Santa), à ressurreição de Jesus (Páscoa), à celebração da Eucaristia (Corpo de Deus), aos santos e mártires da Igreja (Dia de Todos os Santos), à subida ao céu de Maria (Assunção de Nossa Senhora), e até ao facto de a mãe de Jesus, através de uma cunha de Deus, ter-se safado do pecado original no momento em que os seus pais a conceberam (Imaculada Conceição). Na próxima quinta-feira, dia 8 de Dezembro, o Estado português vai curvar-se alegremente diante de um dogma de alcofa inventado no século XIX por uma Igreja acossada pela secularização, mas até lá entretém- -se a subir ao escadote para remover cruzes de madeira, esses malvados instrumentos que instigam à conversão religiosa. Em Portugal, já se sabe, a lógica é uma batata.Por mim, podem limpar as escolas de todos os crucifixos, e, já agora, que se aproxima essa perigosa quadra para o laicismo do Estado chamada Natal, podem proibir também os presépios e até a apanha de musgo. A única coisa que me incomoda neste pequeno psicodrama é que o Ministério da Educação perca o seu tempo a expelir circulares muito legais, muito constitucionais e muito burras. O senhor que está pendurado nos crucifixos não é apenas um símbolo religioso - é também um símbolo civilizacional, que atravessa todo o Ocidente através da pintura, da literatura, da música, da arquitectura, do teatro, do cinema. Mais do que propaganda católica, o crucifixo faz parte da nossa identidade e é uma chave para compreender os últimos 21 séculos de História. Não tem a ver com fé. Não tem a ver com Deus. Tem a ver connosco.
João Miguel Tavares

Diário de Notícias, 3 de Dezembro de 2005”
http://dn.sapo.pt/2005/12/02/opiniao/tiro_crucifixo.html